2009/09/26
2009/09/25
As esquerdas que temos

Quanto mais leio o blogue de José Medeiros Ferreira ou os discursos (apesar de emproados e inconsequentes) de Manuel Alegre, mais me convenço que uma coligação de esquerda com o PS seria possível. Por outro lado, quanto mais ouço Sócrates ou Santos Silva, para já não dizer Vital Moreira, menos me convenço.
O que prova que o PS de Mário Soares e Almeida Santos – ambivalente, senil, esquizofrénico ou muito simplesmente sem-vergonha - é o mais representativo daquele partido que vai continuar a governar Portugal, para nosso mal.
Só uma divisão do PS em duas correntes incompatíveis poderia criar uma nova oportunidade. Mas aqui, como aconteceu no PCP, o património histórico pesa mais do que a razão, do que as razões – muitas mas variadas. É assim. Por enquanto.
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2009/09/17
Memórias de uma professora

É altura de serem os próprios professores a falarem, já que muito se tem falado deles e em nome deles. Daí a excelente oportunidade duma obra que vai agora ser publicada com o nome “Memórias de Uma Professora”.
A professora Isabel Pereira Rosa é autora deste testemunho. Nascida em 1954, na Tojeira, uma aldeia situada nas faldas da Serra de Montejunto, licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa e especializou-se em Ciências de Educação, na Área de Educação Especial, na Faculdade de Psicologia e Ciências de Educação de Lisboa.
Diz que deixa o ensino «porque está cansada, porque lhe doem as costas», mas não tarda a confessar o que há de metafórico nesta explicação: o que lhe falta realmente é o apoio da rectaguarda que a política de educação deveria dar: « e a política da educação nos últimos anos só veio contribuir para uma maior desmotivação dos professores – menos direitos; mais trabalho; criação de um clima de competição, numa profissão em que a cooperação entre os pares é imprescindível à formação integral e harmoniosa dos seus destinatários; menos exigência para com os alunos, a quem já nem se exige o mínimo para progredirem, que é irem às aulas.O livro será apresentado no dia 19 de Setembro, pelas 16 horas, na nova Biblioteca Municipal do Cadaval (perto de Bombarral).
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2009/09/16
Jerónimo de Sousa e a sua ilusão
Domingos Lopes (com tristeza):
«Acreditei, até há tempos, que poderia haver outra saída. Verifiquei que se iam fechando todas as portas».
Jerónimo de Sousa (sorridente):
«Sai um, saem dez, entram mil; estamos bem».

E eu pergunto :
Somos números?
E ainda:
Porque é que só sabemos os nomes dos que saem? Porque é que os congressos só dão conta (do número) dos que “entram”? Suspeito!
Em relação a Domingos Lopes, Jerónimo coloca “a questão folosófica” de saber se «se pode sair de um sítio onde já não se está». E eu pergunto, filosoficamente, se Jerónimo ainda não percebeu que está num partido que já não existe – do PCP histórico, fundado na convicção e na generosidade dos seus dirigentes, resta-lhe a cultura sindical e a ilusão-de-optica eleitoral que as circunstâncias favorecem como nunca antes.
Assim como quem contempla uma estrela que morreu há milhares de anos, mas cuja reflexão luminosa ainda permanece no espaço. Como ensina o esquecido Materialismo Dialectico de Engels e Marx, é assim na natureza e na sociedade.
«Acreditei, até há tempos, que poderia haver outra saída. Verifiquei que se iam fechando todas as portas».
Jerónimo de Sousa (sorridente):
«Sai um, saem dez, entram mil; estamos bem».

E eu pergunto :
Somos números?
E ainda:
Porque é que só sabemos os nomes dos que saem? Porque é que os congressos só dão conta (do número) dos que “entram”? Suspeito!
Em relação a Domingos Lopes, Jerónimo coloca “a questão folosófica” de saber se «se pode sair de um sítio onde já não se está». E eu pergunto, filosoficamente, se Jerónimo ainda não percebeu que está num partido que já não existe – do PCP histórico, fundado na convicção e na generosidade dos seus dirigentes, resta-lhe a cultura sindical e a ilusão-de-optica eleitoral que as circunstâncias favorecem como nunca antes.
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2009/09/13
Voto em consciência

A escolha é entre mim e Ferreira Leite - diz e repete José Sócrates para desvalorizar a votação nos outros partidos. Será que tem razão? Aparentemente, sim; realmente , não.
Havendo certamente diferenças entre o PSD e o PS, quer pela sua base de apoio, quer pela sua história, é difícil distinguir entre os seus projectos de governação para os próximos anos. Exactamente porque eles são filhos destas figuras, mais do que o são dos partidos que os suportam. Nestes partidos a política real é decidida pelos “líderes” que se assumem como tal.
Sendo irrelevantes e de difícil valoração as diferenças entre a liderança de Sócrates e a de Ferreira Leite, é manifesto que aquele tem necessidade do sofisma que repete. Sofisma porque, sendo verdade que um daqueles será eleito, não é verdade que o voto neles seja útil como a afirmação sugere. O que será útil é manifestar contra ambos um voto da consciência e uma indicação do sentido que o eleitor quer que seja dado à política. Votar em Sócrates, é dar-lhe apoio para prosseguir o favorecimento do lucro contra o salário e do privado contra o público, os ataques contra os professores e outros sectores sociais, os negócios opacos e os investimentos ruinosos… Votar em Ferreira Leite é apoiar a mesma estratégia política com outros protagonistas. Votar no PCP ou no BE é exigir uma ruptura corajosa com a oligarquia partidária. Uma oligarquia dependente e servil perante os países mais ricos como se daí viesse a defesa dos nossos interesses e não dos deles.
Não lhes ficava mal aprender, nesta matéria, com os nossos parceiros da América Latina - prosseguir uma estratégia de independência face à invasão política de que somos vítimas pelos países ricos. Independência que não quer dizer isolamento mas soberania nacional. Com “atitude”!
(Quanto ao facto de eu votar em branco, isso contempla outra questão. É que há no dia 27 mais do que a escolha de deputados e, por consequência, de governantes. Há também um juízo sobre o partido em que se vota. O que conta para quem não é demasiado pragmático nem quer ser).
2009/09/10
Mário Soares e os papões
Mário Soares faz esta brilhante revelação, na VISÃO: «Nos últimos 20 anos assistimos a duas implosões pacíficas significativas:
o comunismo soviético e o capitalismo especulativo-financeiro».
Se Mário Soares, no uso de todas as suas faculdades, garante que o capitalismo especulativo-financeiro implodiu, fica agora a História do futuro avisada. Se Mário Soares (já) não sabe o que quer dizer implosão, visto que fala de «duas implosões que resultaram de dentro para fora», temos que dar-lhe um desconto.
o comunismo soviético e o capitalismo especulativo-financeiro».
Se Mário Soares, no uso de todas as suas faculdades, garante que o capitalismo especulativo-financeiro implodiu, fica agora a História do futuro avisada. Se Mário Soares (já) não sabe o que quer dizer implosão, visto que fala de «duas implosões que resultaram de dentro para fora», temos que dar-lhe um desconto.
Mas estariamos apenas a rir, se as declarações ficassem por aí. Infelismente, não. «Infelizmente, não tive ocasião de ver o debate entre Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã, de que estava particularmente curioso – escreve Soares. - Mas, segundo me disseram - um jornalista que considero isento -, foi inesperadamente bem-comportado ou, mesmo, consensual, como se quisessem guardar as suas respectivas baterias contra os partidos do chamado eixo do poder: PS e PSD».
Para concluir: « Para mim é estranho, quase incompreensível, essa preocupação em partidos que se reclamam da Esquerda. É a política do "quanto pior, melhor", que em tempo de crise - como a que vivemos ainda - pode ser perigosíssima. Temos a memória da experiência ocorrida nos anos 30 do século passado, com a ascensão de Hitler, que conduziu à hecatombe da II Guerra Mundial... Deixou-se caminhar o nazismo porque a luta era contra a social-democracia, a rival mais próxima... E acabaram todos nos campos de concentração: democratas-cristãos, socialistas, comunistas e trotskistas, perante um Hitler megalómano, omnipotente e implacável...»
Moral desta história imoral: a esquerda portuguesa (pelo menos) conduz ao nazismo; a memória conduz a dizer que « deixou-se caminhar o nazismo porque a luta era contra a social-democracia»; Mário Soares é fixe.
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