2015/02/17

O outro lado do mundo

Como se a Terra fosse plana e não esférica, nós, europeus, perdemos facilmente de vista o que se passa do outro lado do mundo. Há mesmo quem recorra a esta ilusão de optica para nos convencer que o mundo somos nós e o que vemos à nossa volta, apenas. 

Era assim que se imaginava o mundo, realmente, até os gregos – lá está! - nos revelarem que há mais Terra, mais territórios, mais nações, mais gente, mais economias, mais exércitos além da nossa linha de horizonte.

Com efeito, Pitágoras e Aristóteles – que não eram do SYRISA – já terão problematizado o consenso sobre a forma da Terra, e nem foram os primeiros gregos a levantar o problema. Curiosamente foi preciso esperar por um português para provar a tese, muitos séculos mais tarde, com a viagem de circum-navegação. Foi Fernão de Magalhães, em 1522. A História tem o seu tempo.

O que era a grande heresia até cinco séculos antes de Cristo, revelou ser a grande verdade! 

É isto que me lembra o argumento em que se apoiam os greco-cépticos quando invocam a posição dos 18 ministros das Finanças da zona do euro que se opõem à posição do governo grego (dando de barato que se trata de uma posição realmente unânime sobre o mesmo conteúdo).

Embora Varoufakis afirme que a Grécia não tem um plano “B” e que vai continuar no euro, eu julgo oportuno transcrever um excerto do discurso do ministro chinês, Wang Yi num encontro de três países – China, Rússia e Índia – estranhos à União Europeia e relativamente próximos da Grécia,  no princípio deste mês de Fevereiro:

"China, Rússia e Índia são grandes países, dos maiores do mundo; e somos, todos, economias de mercado emergentes. Todos temos compromisso com política independente para a paz, e com a via do desenvolvimento pacífico. Geramos sempre mais energia positiva para o resto do mundo, e trabalharemos sem descanço para tornar o mundo mais seguro e mais estável. Nossos três países unem-se para cooperação mais próxima, mutuamente benéfica, e para nosso desenvolvimento comum. A união beneficiará diretamente mais de 40% da população do planeta Terra".

E não será só em matéria de “desenvolvimento”, digo eu. Nem será só entre estes três países. O mundo é bem maior do que parece a alguns, apostados em isolar a Grécia.

2015/02/10

Augusto Santos Silva desilude

O dirigente do PS acima mencionado, é um homem do Porto e é inteligente. Duas razões para que eu gostasse de ouvi-lo – razões subjectivas, eu sei. Mas quanto mais o ouço em “Política Mesmo” da TVI24, mais me desgosta.

Interpelado sobre a falta de esclarecimentos de António Costa quanto aos objectivos deste como candidato, Augusto Santos Silva contou que, a caminho da TVI , tinha visto um cartaz do PCP onde se lia “Por uma política patriótica e de esquerda”, o que, a seu ver, não significava nada!

Que uma política de esquerda não signifique nada para o dirigente do PS, já não me espanta, mas que nem sequer faça sentido para ele “política patriótica”, particularmente num tempo em que o país aliena tudo quanto é património e estrutura produtiva nacional, e em que o Governo actual é um submisso cordeiro da Alemanha, isso é um escândalo.

Que Augusto Santos Silva não tenha resposta para a questão colocada pelo jornalista, é uma coisa; que queira fazer de nós parvos é, no mínimo, uma desilusão.

Para a troca, aqui deixo um recorte de um folheto do PCP que encontrei "a caminho de casa", onde se resumem posições do Partido Comunista Português que a miopia de ASS o impede de ver:

NOTA para quem já foi Ministro da Educação e Ministro da Cultura e gosta de citar figuras clássicas:
Aristóteles caracterizava a demagogia como a corrupção da democracia. Toma e embrulha! - isto digo eu.

2015/02/06

O PCP explica aos meninos

Se não viu no dia 21 do mês passado, talvez porque as televisões gostam mais de cassetes, aqui se lembra um dos muitos truques do Governo para nos convencer que "o país está melhor"...

2015/02/02

António Costa no divã


Catherine Millot foi a última amante oficial de Jackes Lacan, prestigiado estudioso da psicanálise e promotor do regresso ao verdadeiro pensamento de Freud.

Catherine estava com Lacan no momento em que este morreu. Depois disso surgiu todo um mito que ela alimentou, obviamente, de que Lacan, exactamente antes de morrer, lhe teria revelado uma fórmula secreta, o máximo da sabedoria. Todos ficaram na expectativa de que ela dissesse que fórmula era essa. Até hoje!

Isto faz-me lembrar – ou será o contrário? – a pressão que o líder do PS está a receber de dentro e de fora do partido, para revelar o seu programa político com vista a um próximo e eventual governo do Partido Socialista.

Esta pressão não é recente. Lembro as interrogações de Alfredo Barroso em Julho passado: "que novas 'teorias' António Costa irá inventar, para se furtar ao debate da questão do Tratado Orçamental, da questão da renegociação e/ou reestruturação da dívida, da questão das privatizações e da questão da promiscuidade entre o PS e os negócios?"

Estamos (ainda) ao nível das conferências ou seminários lacanianos, das abordagens parciais, não das grandes revelação ansiadas pelos cidadãos e, menos ainda, do compromisso? Talvez António Costa esteja a protelar estrategicamente a grande revelação, até para evitar histerias jornalísticas, mas há quem receie que a morte política o surpreenda entretanto.

O certo é que o candidato a primeiro-ministro nem mesmo no divã se entrega completamente.