Eu é que pago e eles é que se zangam...
Merkel
- Não basta a Portugal garantir que vai reduzir o défice.
Sócrates
- A verdade é que... eu estou em condições de garantir...
Merkel
- O alerta serve tanto a José Sócrates, por agora no Governo, como à Oposição, nomeadamente a Passos Coelho.
Passos Coelho
- Nós já temos uma solução: as dívidas velhas não se pagam e as dívidas novas deixam-se envelhecer. Imagem inicial: composição original.
Última fala de P. Coelho é ficcional. Por enquanto.
Em Fevereiro de 2011, Muammar Khadafi reagiu violentamente contra os manifestantes a quem chamou de "ratos de esgoto". Os ataques de Khadafi usaram artilharia pesada e aviação militar contra civis, provocando centenas de mortos logo na primeira semana dos protestos. "O que estamos testemunhando hoje é inimaginável. Aviões de guerra e helicópteros estão bombardeando indiscriminadamente uma área após a outra. Existem muitos, muitos mortos", afirmou a testemunha Adel Mohamed Saleh, em declarações ao vivo à Al Jazeera.
Alguém disse que José Sócrates não tentou um acordo?
"Estamos perdiendo la guerra informativa" no sólo en el extranjero, sino también en EU, donde hay un público ávido de noticias serias» (dijo Hillary Clinton). "Nos guste o no, Al Yazira está contribuyendo a cambiar la mentalidad y las actitudes de la gente [en el mundo árabe]"
Y, de repente, la secretaria de Estado deja caer una verdadera bomba al decir que Al Yazira proporciona "noticias reales", mientras que sus competidores estadounidenses se limitan a presentar debates irrelevantes y marean a su público con "millones de anuncios publicitarios".
Con sus comentarios positivos sobre la cobertura informativa de la cadena árabe Al Jazeera —Al Yazira, según la grafía española—, Hillary Clinton ha desatado la ira de los grandes canales de televisión estadounidenses, en especial de la ultraconservadora Fox News, que no ha dudado en calificar a la secretaria de Estado de "demente".
Excertos de um texto de Bertrand de la Grange, recortado em “Diario de Cuba” 18Mar2011
O CPPC vai promover uma manifestação? Sim. Concordante com os revoltosos? Não, concordante com Khadafi.
O “Conselho Português para a Paz e a Cooperação”, «condena a intervenção imperialista contra a Líbia e exige o fim imediato desta agressão em respeito pela independência e soberania deste país». Parafraseando Karl Marx, cabe perguntar de qual das duas Líbias, a de Kadafi ou a dos opositores.
A intervenção é contra um massacre dos revoltosos, ameaçados de ataque militar aéreo pelo ditador local, e os promotores da intervenção, desde logo os EEUU e a ONU, se comprometem expressa e inequivocamente a não ocupar o território.
Fica claro, nestas circunstâncias, que o CPPC está mais preocupado com as virtuais "agressões imperialistas” contra o regime, do que está preocupado com as agressões fascistas contra o povo líbio que reclama liberdades; está mais empenhado em preservar a ditadura instalada do que em preservar a vida dos manifestantes que lutam corajosamente pela democratização do país.
O CPPC ultrapassa a declaração do próprio World Peace Council, de que é membro, e Miguel Urbano Rodrigues ultrapassa-os a todos, fazendo coro com os líderes popular-esquerdistas mais primários desta Terra – os ditadores de Cuba à cabeça e a Telesur aos pés. Nada de novo, infelizmente.
Para bem dos revoltosos democráticos, não estará ninguém na manifestação do CPPC que na sua fantasia se pretende “herdeiro e fiel” seguidor do Movimento para a Paz, dos anos 50 (de Manuel Valadares e Pablo Picasso e tantos outros homens e mulheres excepcionais). Que distância. Que vergonha.
A manifestação da chamada “Geração à Rasca”,
do passado dia 12 de Março de 2011, vale muito
pelo que revela ou confirma do estado de espírito da sociedade mas parece valer pouco como instrumento para melhorá-la.
Do ponto de vista subjectivo, isto é, do sentimento dos participantes, tanto quanto se possa identificar em conjunto, sobressai a expressão de descontentamento com os poderes, isto é, com os representantes da população nos orgãos de poder, quer estejam em exercício ou em oposição. Contra o poder em exercício, contestam (algumas) políticas adoptadas; contra as oposições partidárias denunciam a incapacidade destas para interpretar a vontade da população ou para serem eficazes na oposição que encenam. Os manifestantes pretendem afirmar-se como vozes genuínas contra a algazarra geral. As motivações de cada grupo de interesses dilui-se neste inócuo propósito de afirmação. Reproduzem a algazarra mas de forma desorganizada.
Do ponto de vista das motivações, o que parece mais saliente são reivindicações ligadas com o direito ao trabalho e às condições de trabalho, nomeadamente o combate à generalização do trabalho precário. Nada que não seja dito, argumentado e insistido diariamente pelas organizações sindicais e políticas de esquerda, todos os dias e em todos os foros, afinal, pelo que se exprime a desconfiança dos manifestantes em tais organizações – fica o recado! O que esta forma de manifestação acrescenta é a demonstração do caracter plural e amplamente abrangente do descontentamento.
Nesta forma alternativa de algazarra desorganizada, não se adivinham as consequências sonhadas por alguns - é bom ter presente que não estamos (ainda) perante uma revolta. Mas que aquecem as condições sociais para uma “mudança de paradigma” no combate político, lá isso aquecem.
Para pôr água na fervura têm os políticos profissionais, métodos conhecidos que vão das remodelações governamentais até às eleições antecipadas. Mas há que ter em conta o exemplo das centrais nucleares japonesas: quando o sismo da deterioração social se junta ao "sunami" do descontentamento, não haverá água que chegue para arrefecer os motores da revolta.Nessa altura, o melhor que pode acontecer é a explosão do paradigma liberal. Até lá, vão-se contando as vítimas.