De mal-entendidos se fazem muitos conflitos. Na vida pública e na privada. Colette Portelance explica isso muito bem em “La Communication authentique”. Aqui se poderia tratar o queixume de Cavaco Silva acerca dos seus honorários mas é de outra personagem que me ocupo.
Custa-me criticar Herman José com quem trabalhei durante anos e de quem me ficou a melhor impressão profissional e pessoal. Mas quem anda à chuva, molha-se. E as declarações de uma figura com o seu merecido prestígio não podem passar sem um reparo quando fazem opinião em matéria tão grave.
Refiro-me às ideias que defendeu no programa Moeda de Troica, sobre o Irão, justificando o assassinato, a mando externo, de cientistas iranianos que trabalhavam no programa nuclear daquele país. O Herman sabe tanto ou tão pouco acerca dos verdadeiros objectivos do plano, como eu sei – lê os jornais. Mas isso não o impede de subscrever a versão norte-americana. Nem o caso do Iraque lhe recomenda alguma prudência.
Palavra puxa palavra, bomba puxa bomba, e logo “intrinca” aqui a questão da bomba de Hiroshima. Eu sei que se “limitou” a repetir a versão norte-americana da História quando “justificou” aquela atrocidade, dizendo que era a forma de acabar com a guerra. Mutatis mutandis faz lembrar Passos Coelho a promover a facilitação dos despedimentos para defender o emprego, e a promover o empobrecimento para melhorar o futuro dos portugueses. Só que até as crueldades fazem diferença entre si.
Sinceramente, faz-me muita pena este vício de raciocínio num homem com a inteligência, a informação e o bom carácter que atribuo ao Herman José.
Até porque a brilhante Ana Mesquita não merecia ser "intrincada" nesse discurso.
É a desvantagem, Herman, de não ser político, coisa que Cavaco Silva não pode invocar como desculpa para as suas gafes – passe o “intrincamento” do bolo rei nos pasteis de nata.
2012/01/30
2012/01/29
AUSTERIDADE MATA
«Las cifras facilitadas por Gobierno (de Grecia) registran un incremento (dos suicídios) del 40% entre enero y mayo (de 2011) en relación al mismo período de 2010. Nadie duda de que la causa de este fenómeno sean las dolorosas medidas de austeridad presupuestaria.
Los griegos, individual y colectivamente, se sienten más pobres, más solos, más acobardados y más desvalidos que en ningún otro momento de su reciente historia.
(...) antes de ser golpeado por la crisis, Grecia tenía el porcentaje de suicidios más bajo de Europa, (...) ahora (tiene el porcentaje) más alto de Europa. » - em El Pais 2011Dez20.
Nada que afecte as contas públicas...
A perda de soberania formal que Merkel vem agora "propor", a rendição da Democracia em que já não seria o voto dos eleitores que julgaria o Governo, mas sim um comissário estrangeiro, esta nova versão da eliminação dos fracos pelos fortes, revela o grau de loucura que domina a política da União Europeia. Mas ainda ninguém quer reconhecer, na governança europeia. Quando é que já vimos isto?
Los griegos, individual y colectivamente, se sienten más pobres, más solos, más acobardados y más desvalidos que en ningún otro momento de su reciente historia.
(...) antes de ser golpeado por la crisis, Grecia tenía el porcentaje de suicidios más bajo de Europa, (...) ahora (tiene el porcentaje) más alto de Europa. » - em El Pais 2011Dez20.
Nada que afecte as contas públicas...
A perda de soberania formal que Merkel vem agora "propor", a rendição da Democracia em que já não seria o voto dos eleitores que julgaria o Governo, mas sim um comissário estrangeiro, esta nova versão da eliminação dos fracos pelos fortes, revela o grau de loucura que domina a política da União Europeia. Mas ainda ninguém quer reconhecer, na governança europeia. Quando é que já vimos isto?
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2012/01/27
Retrato da crise
Tá tudo aí:
«Anestesiados pelo mantra da inevitabilidade do empobrecimento, aliás muito bem orquestrado pelos canais de televisão no horário nobre, os portugueses estão a viver estoicamente o seu papel de cobaias de uma política económica comprovadamente errada, no essencial inspirada pela teoria económica dominante no período anterior à Grande Depressão do século passado. Governados por uma elite política comprada por interesses privados de diferente natureza, ou representados por uma oposição incapaz de produzir uma alternativa mobilizadora, os portugueses parecem cordeiros a caminho do matadouro. É enorme a responsabilidade daqueles que percebem o que está em causa».
Jorge Bateira no Jornal "I" e em "Ladrões de Bicicletas"
«Anestesiados pelo mantra da inevitabilidade do empobrecimento, aliás muito bem orquestrado pelos canais de televisão no horário nobre, os portugueses estão a viver estoicamente o seu papel de cobaias de uma política económica comprovadamente errada, no essencial inspirada pela teoria económica dominante no período anterior à Grande Depressão do século passado. Governados por uma elite política comprada por interesses privados de diferente natureza, ou representados por uma oposição incapaz de produzir uma alternativa mobilizadora, os portugueses parecem cordeiros a caminho do matadouro. É enorme a responsabilidade daqueles que percebem o que está em causa».
Jorge Bateira no Jornal "I" e em "Ladrões de Bicicletas"
2012/01/26
Adivinha
Quem disse:
“Quando me apercebi de que o navio estava inclinado, fui-me” ?
A. Guterres, primeiro-ministro português, em 2001?
Durão Barroso, primeiro-ministro português, em 2004?
José Sócrates, primeiro-ministro português, em 2011?
Francesco Schettino, comandante do navio Concordia, em 2012?
“Quando me apercebi de que o navio estava inclinado, fui-me” ?
A. Guterres, primeiro-ministro português, em 2001?
Durão Barroso, primeiro-ministro português, em 2004?
José Sócrates, primeiro-ministro português, em 2011?
Francesco Schettino, comandante do navio Concordia, em 2012?
2012/01/24
Quem paga as sanções
Na sequência de acusações dos Estados Unidos da América, de que o Irão está a preparar o fabrico de armas nucleares – parece que aquela das armas de destruição massiva já não cai bem na opinião pública – a União Europeia, mostrando para o que serve, anunciou esta segunda-feira o embargo a novos contratos de importação de petróleo e seus derivados, vindos daquele país persa. Fiam-se na Arábia Saudita mas parece que esta não fia, vende a pronto, embora esteja interessada no negócio.
O Irão respondeu com a promessa de fechar definitivamente o estreito de Ormuz por onde o Ocidente se abastece de grande parte do petróleo que consome, e alertaram os EUA a não tentarem nenhuma "aventura militar".
Aventuras militares à parte – que Alá me ouça! – incluindo atentados contra cientistas iranianos…, a coisa faz lembrar aquele episódio dos anos oitenta em que o Irão estava sujeito a um embargo internacional de armamento mas… agentes da CIA facilitavam secretamente, como seria revelado pela Imprensa no final de 1986, o tráfico de armas para aquele país a pretexto da libertação de seis norte-americanos detidos no Irão e, além disto, para financiar os Contras da Nicarágua que combatiam pelos privilégios dos latifundiários.
O ministro russo das Relações Exteriores, lembrou que a União Europeia estuda as nova sanções justamente no momento em que o Irão planeia retomar as negociações sobre seu programa nuclear com os EUA, Reino Unido, China, França, Rússia e Alemanha, e afirmou ainda que uma acção militar ocidental contra o Irão seria uma “catástrofe”.
Ao que se sabe, a China também seria afectada indirectamente com as sanções europeias, e já manifestou grande oposição com relação a sanções que serão impostas contra a empresa estatal chinesa Zhuhai Zhenrong por vender gasolina ao Irão.
Enfim, há “tiros” que saem pela culatra que é onde se situa o atirador e não o alvo – passe a explicação, não vá alguém pensar que me refiro a uma ilha portuguesa situada no Algarve.
No caso de tiros económicos, o efeito são os prejuízos, a subida dos preços do petróleo que irá repercutir-se nos consumidores. O costume.
O Irão respondeu com a promessa de fechar definitivamente o estreito de Ormuz por onde o Ocidente se abastece de grande parte do petróleo que consome, e alertaram os EUA a não tentarem nenhuma "aventura militar".
Aventuras militares à parte – que Alá me ouça! – incluindo atentados contra cientistas iranianos…, a coisa faz lembrar aquele episódio dos anos oitenta em que o Irão estava sujeito a um embargo internacional de armamento mas… agentes da CIA facilitavam secretamente, como seria revelado pela Imprensa no final de 1986, o tráfico de armas para aquele país a pretexto da libertação de seis norte-americanos detidos no Irão e, além disto, para financiar os Contras da Nicarágua que combatiam pelos privilégios dos latifundiários.
O ministro russo das Relações Exteriores, lembrou que a União Europeia estuda as nova sanções justamente no momento em que o Irão planeia retomar as negociações sobre seu programa nuclear com os EUA, Reino Unido, China, França, Rússia e Alemanha, e afirmou ainda que uma acção militar ocidental contra o Irão seria uma “catástrofe”.
Ao que se sabe, a China também seria afectada indirectamente com as sanções europeias, e já manifestou grande oposição com relação a sanções que serão impostas contra a empresa estatal chinesa Zhuhai Zhenrong por vender gasolina ao Irão.
Enfim, há “tiros” que saem pela culatra que é onde se situa o atirador e não o alvo – passe a explicação, não vá alguém pensar que me refiro a uma ilha portuguesa situada no Algarve.
No caso de tiros económicos, o efeito são os prejuízos, a subida dos preços do petróleo que irá repercutir-se nos consumidores. O costume.
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2012/01/18
Contra Barreto
António Barreto em “Contra-corrente” regozija-se que tenha havido acordo, qualquer que fosse o acordo!
E eu regozijei-me particularmente ao ver como o ex-ministro ficou a gaguejar quando a Ana Lourenço lembou que até Torres Couto, fundador da UGT, disse ter vergonha do papel que João Proença desempenhou neste processso - neste acordo da Direita com a Direita, digo eu.
E eu proponho (à SIC) outro acordo: que o Barreto troque de lugar com a Ana. Ele faz perguntas e ela responde. Ganharíamos todos, e ele mais que ninguém.
E eu regozijei-me particularmente ao ver como o ex-ministro ficou a gaguejar quando a Ana Lourenço lembou que até Torres Couto, fundador da UGT, disse ter vergonha do papel que João Proença desempenhou neste processso - neste acordo da Direita com a Direita, digo eu.
E eu proponho (à SIC) outro acordo: que o Barreto troque de lugar com a Ana. Ele faz perguntas e ela responde. Ganharíamos todos, e ele mais que ninguém.
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