2014/09/20

Porque hoje é domingo (55)

É nisto que o cristianismo faz toda a diferença do comunismo. Vejam a parábola de Jesus que a Igreja invoca este domingo, fazendo fé em S. Mateus (Mt 20,1-16) e que eu passo a citar de forma abreviada.

Um homem saiu de madrugada a contratar trabalhadores para a sua vinha. (Logo aqui, marxista que se preze, como eu, identifica uma divisão de classes!).

Como foram contratados a horas diferentes mas o trabalho terminou à mesma hora para todos, uns trabalharam mais que outros – no caso, a diferença chega a ser de onze horas, pelas minhas contas. Assim, os que mais trabalharam, reclamaram por tão clamorosa injustiça.

«Amigo, não te faço agravo; não ajustaste tu comigo um dinheiro? Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti. Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? (…)Toma o que é teu, e retira-te».

Aqui, Jesus caiu na armadilha do proprietário. É que, mesmo se dermos por válido que aquelas terras eram propriedade legítima do homem, já a "mais-valia" produzida é fruto inequívoco do trabalho dos contratados. Esse rendimento não é dele porque não é da terra apenas – a terra sem trabalho continua a ser terra, apenas, e não vinha! A vinha é, portanto,” de quem a trabalha” até ao momento em que a cede contra um salário.

«Não me é lícito fazer o que quiser do que é meu?» devia merecer outra avaliação por parte de Jesus, mas reconheço que era difícil para quem não tinha lido ainda o Capital e as teses do seu autor sobre a "mais-valia".

A imagem a preto e branco refere-se à luta dos trabalhadores dos EEUU (Chicago 1886)pelo horário de oito horas diárias.

2014/09/17

Terceira Guerra à vista?

Subscrevo, muito modestamente, a tese do Papa, segundo a qual está em curso a Terceira Guerra Mundial. E ele que se cuide mais que eu...


Reunindo mais de 30 estados, entre os quais há 10 países árabes, o combate internacional ao terrorismo do Estado Islâmico acolhe finalmente uma dimensão numérica quase comparável ao das forças aliadas contra o nazismo na Segunda Guerra Mundial. Num e noutros casos, a monstruosidade do inimigo comum engendra as alianças mais imprevisíveis.

O califa de Abu Bakr al Bagdadi substitui o Terceiro Reich, e a “civilização cristã” ocupa o lugar dos judeus como povos ameaçados, mas o que motiva os soberanos loucos na sua crueldade é o fanatismo ideológico associado a uma febre absoluta e paranóica de domínio.

«Eu sigo o caminho que a providência me indica com a segurança (confiança?) de um sonâmbulo» - atribui-se a Hitler. E também «A natureza é cruel; então também estamos destinados a ser cruéis. Temos de ser cruéis». E o resultado é que a Segunda Guerra Mundial custou a vida de 50 a 70 milhões de pessoas – para não falar de tudo o resto.

Ao que parece, aquilo que explica as adesões de militantes, além de ambições subjectivas, continua a ser a manipulação ideológica favorecida pela ignorância. Isso explica que o recrutamento seja feito entre jovens permeáveis a conceitos extremistas de fidelidade e sacrifício suportados por uma lógica moral ou religiosa. E em contextos obscurantistas de pensamento único.

O que o mundo tem a aprender daqui - passe a presunção, uma vez mais - é que um país onde a liberdade de informação e a cultura sejam depreciadas, é uma fonte de conflitos irracionais e cruéis. E neste tipo de conflitos não há soluções negociadas.

2014/09/14

Porque hoje é domingo (54)

Antes de Jesus, a cruz era vista como um instrumento de castigo, de humilhação, de condenação dos criminosos. Porém, o facto de o Filho de Deus ter sido crucificado, deu à cruz um sentido novo: ela deixou de evocar a condenação e a morte, para significar a exaltação da vida. Diz-se.
Vão lá contar esta história aos crucificados antes e depois de Jesus!...
As forças rebeldes que combatem contra o governo da Síria e têm sido apoiados pelo cristianíssimo "ocidente", enforcam os cristãos que não seguem a "fé muçulmana".

Para significar a exaltação da vida, admito que a água que vem dos rios e dos mares, a terra onde medram as plantas, o leite ou a própria vaca com seus bifes, fariam mais sentido. Mas uma cruz é como uma forca, uma guilhotina ou uma fogueira de assar pessoas - todos estes são elementos de terror e não de exaltação.

Por outro lado, é verdade que os símbolos podem ganhar novas significações. A cruz suástica, por exemplo e para não nos afastarmos da cruz!, muito antes de ser o símbolo do Partido Nazista Alemão a partir de 1920, era um desenho muito recorrente na arquitectura e na arte hindus, indianas e outras, como se sabe, sem qualquer conotação com a ideologia nazi. Neste caso, o sentido moral é o inverso – trata-se da diabolização, na perspectiva democrática, de um símbolo de natureza estética ou até religiosa com diversos significados em diferentes regiões e épocas.

A cruz da crucificação, essa, continua a ser um símbolo da crueldade a que pode conduzir o autoritarismo político e o fanatismo ideológico. Da sua actualidade nos dão conta as notícias, ainda que mitigadas:

Os guerrilheiros do exército do Estado Islâmico no Iraque e na Síria, vêm promovendo demonstrações de crueldade nesta guerra. O seu objectivo declarado é criar um estado islâmico em áreas sunitas do Iraque e na Síria, restabelecendo o regime de califado, desaparecido há um século, e que significa na prática que o seu líder será o líder dos muçulmanos em todas as partes do mundo.
Ver mais informação em canalgama.com.br

2014/09/13

EUA e os movimentos independentistas

Considerando a missão messiânica dos EUA e do seu braço armado, a NATO, nomeadamente para combater as reivindicações independentistas, será de esperar que eles vão enviar tanques para a Escócia no próximo dia 18, fuzileiros navais  para a Catalunha no dia 9 de Novembro, e caças bombardeiros para a Valónia (Bélgica) ?

Em Porto Rico, colónia norte-americana onde os cidadãos não têm direito a voto e onde existe um activo movimento, a missão dos EEUU está facilitada, ou não fosse o território uma fonte de recrutamento de militares para as Forças Armadas do império.


1ª foto - Manif. na Escócia. Fonte: news.images.itv.com
2ª foto - Manif. na Catalunha. Fonte: swissinfo.ch
3ª foto - Manif. antiamericana em Porto Rico. Fonte: usmlo.org

2014/09/11

A palavra "traição"

«Fica-te mal», António José Seguro, insultar o teu camarada António Costa de traição e deslealdade. É porventura o maior insulto que se pode fazer ao carácter de alguém. É-o seguramente em relação a um político. 

Não me recordo de ter ouvido tais impropérios de Seguro contra os seus adversários partidários, desde Passos Coelho a Salazar. Tanto mais grave que esse insulto atinge inevitavelmente Mário Soares, Almeida Santos, Manuel Alegre e tantos, tantos outros.

Em política, não é traição concorrer com os companheiros de partido, especialmente quando estes estão a prestar, reconhecidamente, um mau serviço; traição é defender o seu lugar no trono em vez de defender o sucesso do seu partido e do seu ideal, na disputa eleitoral. Para já não falar do que isso significa a nível nacional.

Nem Seguro é Jesus, nem Costa é Judas. Nem Costa jurou fidelidade a Seguro, nem Seguro é o PS. E o futuro irá mostrar inevitavelmente que “a traição nunca triunfa porque, se triunfasse, ninguém mais ousaria chamá-la de traição", como disse J. Harington.

Sim, António José Seguro, é o futuro que conta. E quando lá chegarmos bom será, para o PS e para si, que não tenham sido destruídas as pontes necessárias a reagrupar o seu partido. Nada que me incomode, confesso. Mas eu não sou seu amigo, logo, nem sequer posso traí-lo.

2014/09/09

Políticas de saúde na China

Cada vez mais os chineses se parecem connosco e nós com eles. Ou foi sempre assim e o preconceito recíproco não nos deixava ver?
Mao Qun'an, porta-voz da Comissão Nacional de Saúde e Planeamento Familiar da China, apontou que um factor chave para promover a reforma de cuidados de saúde da China é aumentar o salário dos trabalhadores médicos e cortar a ligação entre os rendimentos dos médicos e a venda de remédios.

Os trabalhadores dos hospitais públicos, que dominam o mercado de serviços de saúde, recebem salários geralmente baixos. Por isso, muitos médicos "cooperam" com as companhias farmacêuticas e obtêm rendimentos impróprios prescrevendo remédios em quantidades exageradas ou até desnecessários.

A comissão reforçará também a protecção dos trabalhadores médicos após uma série de casos de violência de pacientes contra aqueles profissionais.

Manifestação de profissionais contra agressões dos utentes
em Out/2013.