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2015/11/23

A birra de Cavaco


Enquanto Assistente de Realização, participei na gravação de uma peça de teatro chamada "A birra do morto".

Como não me lembrar disso, agora que um governo morto e um Presidente da República moribundo, se recusam a admitir a própria morte política. É uma farsa.

2015/11/22

Porque hoje é domingo (74)

Profetas, há muitos; deixem-no andar – diziam as autoridades. Até que alguém alertou: - Ele diz que é rei!

É aqui que as coisas mudam de figura. Uma coisa é ter ideias e opiniões, ainda que conflituam com as “verdades” dominantes; outra coisa é desafiar o Poder! Uma coisa é contestar um governo; outra coisa é pretender substituí-lo. Este é o evangelho da direita política.

No caso de Jesus que é invocado neste domingo nos púlpitos católicos (Evangelho Jo 18,33b-37), o profeta recuou para “O meu reino não é deste mundo”. É como se o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista dissessem: “O programa do governo PS que nós apoiamos não é o nosso programa”. Mas nem Pilatos nem Cavaco Silva vão em conversas. Eles preparam-se para crucificar os profetas da boa-nova, por falta de provas!

A desvantagem do Presidente da República é que ele não pode lavar as mãos como Pilatos, consultando a opinião de economistas e banqueiros.

De Jesus, sabemos no que isto deu; de António Costa, ainda vamos ter que aguardar algumas horas ou até alguns dias. Oremos!

2015/11/10

2015/11/07

Tudo pelo Poder

Nas vésperas de apresentação do seu Programa de Governo, o esforço de aproximação da Direita, ao programa do PS, ou é falsa intenção ou é oportunismo; ou é para não cumprir ou é porque a coligação PSD/CDS está disposta a "vender a alma" para não perder o Poder.

2015/10/26

O aborto de Cavaco

Entre presos e foragidos, condenados e gestores de grandes empresas, Cavaco Silva não terá dificuldade em encontrar amigos seus profundamente europeístas e fiéis à NATO, para formar o seu governo alternativo que há-de suceder ao governo nado-morto que aí vem já.

Desde Ricardo Salgado que lhe financiou a candidatura presidencial, até Dias Loureiro, que além de responsável na sua campanha presidencial, já foi seu ministro e Conselheiro de Estado, José Oliveira e Costa que foi secretário de Estado de Cavaco para os Assuntos Fiscais, detido em 2008 por fraude fiscal e branqueamento de capitais, no âmbito das alegadas irregularidades que levaram ao colapso e à nacionalização do BPN…, e por falar em BPN, Dias Loureiro, também seu Conselheiro de Estado. E Duarte Lima que presidiu ao grupo parlamentar do PSD, durante a segunda maioria absoluta de Cavaco Silva, e que responde pela morte de Rosalina Ribeiro mas ama a NATO de todo o coração.

Tudo gente de que se tem rodeado, europeístas e anti-comunistas de corpo e alma e bons-proveitos. 

Entretanto, se faltar alguém desta lista de políticos capazes e experientes, não terá dificuldade em encontrar gente da sua confiança ideológica na Comunicação Social, entre jornalistas enfeudados e comentadores encomendados. Afinal, uma curta licença chega para o serviço que lhes é pedido. 

Marques Mendes, do alto inacessível da sua altura intelectual, afirma que Cavaco Silva  irá designar António Costa para governar com o apoio do BE e do PCP, porque um governo de iniciativa presidencial seria chumbado no parlamento. E não nomeou Passos Coelho nessas mesmas contingências? 

Deixo apenas uma ressalva, eu que sou Marques mas não Mendes: apesar de tudo, da mente de Cavaco Silva tudo pode brutar, digo brotar; nunca se sabe. Assim ele imagine que um governo das esquerdas caia ao fim de pouco tempo para dar origem a eleições antecipadas que reconstruam uma maioria de direita. 

2015/10/22

Então governem!

Diz a Direita e alguns militantes do PS, que o PCP e o BE não devem ser chamados a um acordo de incidência governamental com o PS porque são partidos em desacordo com a União Europeia e que contestam a NATO.

Mas a gente pergunta: - Isso retira legitimidade para participar num governo, se for o caso? Então os governos europeus não-filiados na U.E., são ilegítimos? Mais: se o Bloco de Esquerda ou a CDU ganhassem as eleições, não deviam formar governo porque não são austeritaristas nem belicistas? Porque interviriam na UE, como já fazem, pela soberania e a viabilidade económica de Portugal?

Diz a Direita e alguns militantes do PS, que “os 32% que votaram no PS não queriam um governo do Partido Socialista com o PCP e o Bloco de Esquerda.

Mas a gente pergunta: - E queriam um governo PSD/CDS?

Diz a Direita que a coligação PSD/CDS deve governar porque foi a candidatura mais votada.

Mas a gente responde: - Então governem!

2015/10/19

Os dados estão lançados
para a formação do Governo

ANTÓNIO COSTA (PS) DIXIT

As reuniões com PCP e BE foram construtivas. Com a coligação, uma (reunião) foi vazia e a outra, inconclusiva” Quanto ao entendimento com as esquerdas, “as medidas que encontrar estarão de acordo com as obrigações que Portugal tem e estarão de acordo com o cenário macro-económico do PS”.

Prioridades do Governo de esquerda, segundo A. Costa:
• combate à pobreza infantil
• condições de financiamento para as empresas
• conta corrente das empresas com o Estado
• reposição de vencimentos da função pública
• acelerar a eliminação da sobretaxa de IRS
• alterar escalões de IRS

Declarações mais recentes AQUI, nomeadamente:

"Só serei primeiro-ministro se houver maioria na Assembleia da República que apoie Governo liderado por mim". 

CATARINA MARTINS (BE) DIXIT:

“O Bloco de Esquerda não faltará a uma solução de governo que seja capaz de recuperar os rendimentos do trabalho, salários e pensões, dignidade do trabalho, combate à precariedade e defender a dignidade do nosso país no combate à venda ao desbarato que está a ser feita”.

O Bloco "não abdica daquilo que afirmou na campanha eleitoral, mas sabe centrar-se no que é essencial num processo de convergência em que a convergência é essencial de todas as partes para que haja mudança real no país" e destacou que a questão da reestruturação da dívida é "uma questão inultrapassável" mas não limita diálogos.
Catarina Martins em 2015-10-16

JERÓNIMO DE SOUSA (PCP) DIXIT:

«Apresentaremos uma moção de rejeição do programa de um [eventual] governo PSD/CDS» e «estamos preparados e prontos para assumir todas as responsabilidades, incluindo governativas, necessárias à concretização de uma política que rompa com o rumo que arrastou o País para a actual situação.»
Jerónimo de Sousa em comício de 2015-10-09

«Mesmo não sendo possível essa convergência para uma política que responda às aspirações dos trabalhadores e do povo, o que de facto não é fácil, o quadro constitucional e a correlação de forças Assembleia da República em nada impedem o PS de formar Governo, apresentar o seu Programa e entrar em funções. 

Nessa circunstância, como sempre, os trabalhadores e o povo poderão contar com o PCP para assegurar todas as medidas que correspondam aos seus direitos e interesses. Tudo o que não corresponda a esses objectivos, contará com a oposição do PCP.»
Jerónimo de Sousa após encontro com o Bloco de Esquerda em 2015-10-16, e no editorial do Avante do dia 15.

2015/10/18

Porque hoje é domingo 72

Nem tudo corria bem entre os que o seguiam em arruadas, comícios e reuniões à porta fechada.


Lembro o episódio mais relevante e que se tornaria central em toda a história do grupo: a traição de Judas denunciada na última ceia que ainda hoje é representada nos palcos das igrejas – a missa.

Mas são muitos os relatos que dão conta de desavenças entre os discípulos, e entre Jesus e eles. O caso que os católicos invocam neste domingo, revela não só isso mas também o carácter pouco recomendável de alguns santos, entre eles, Tiago e João.

Estes dois terão chamado Jesus à parte para lhe pedir que lhes desse um lugar privilegiado no Céu: «Quando estiveres na glória, deixa-nos sentar, um à tua direita e outro à tua esquerda». Foi como se Jerónimo de Sousa e Catarina Martins propusessem a António Costa, assentos no eventual governo de esquerda.

Jesus, porém, respondeu que as coisas não são assim, e deu-lhes um grande raspanete. E esclareceu: «É Deus quem dará esses lugares àqueles para os quais ele preparou». Onde se lê "Deus", leia-se Cavaco Silva, obviamente.

Ressalve-se que no caso da frente de esquerda, digamos assim, a coisa foi mais grave: os coligados pretendiam que o Partido Socialista tirasse finalmente o Socialismo da gaveta de Mário Soares e reconsiderasse os mandamentos.

A narrativa termina por aqui porque S. Marcos não desenvolve muito mais, e nós, por cá, não sabemos ainda das consequências que terá a tentativa de formar um governo de esquerda. O que sabemos é que Jesus recusou aceitar a proposta de Tiago e João, que nem por isso deixaram de segui-lo.

2015/10/14

O PCP numa solução de Governo

A aproximação lenta, calculada ou prudente do PCP, à tese de uma frente de esquerda com incidência na formação de um governo alternativo à coligação PSD/CDS, terá sido estimulada por mais que uma razão, a meu ver.

A razão mais transparente é, certamente, contribuir para afastar a direita da governação, e influenciar o governo alternativo no sentido de se corrigirem as políticas anti-sociais em curso.

Mas não terá deixado de pesar neste “passo à rectaguarda” – como diria Lenine – a profunda erosão interna que o PCP tem sofrido desde que “as folhas secas” se foram soltando da árvore seca para o chão ou para outros partidos. Isto é pouco visível do exterior porque as “paredes de vidro” de que se gaba, são muito opacas, e porque os resultados eleitorais, relativamente estáveis ao nível da sobrevivência, embaciam ainda mais a realidade interna.

Por outro lado, a ascensão do Bloco de Esquerda e a sua disposição para viabilizar um governo do PS, sob certas condições, ameaçava o futuro político do Partido Comunista. O argumento, porventura justo, de que os partidos comunistas europeus soçobraram por causa das cedências à social-democracia, não serve para o contexto de aqui e agora.

Nas circunstâncias presentes em que o Bloco gera confiança ao eleitorado de esquerda, um PCP paralisado pelo medo, tornar-se-ia dispensável e definharia como os outros partidos comunistas europeus, por razões diferentes. Mas é certo que este risco só faz sentido agora com “este PS” em perspectiva.

Finalmente, “isso é tudo muito bonito, mas” esta frente ainda vai ter que esperar pela falência do novo governo PSD/CDS. Até lá, não pode cometer o erro de provocar uma maioria absoluta da Coligação, a seguir!