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2015/11/10

2015/10/26

O aborto de Cavaco

Entre presos e foragidos, condenados e gestores de grandes empresas, Cavaco Silva não terá dificuldade em encontrar amigos seus profundamente europeístas e fiéis à NATO, para formar o seu governo alternativo que há-de suceder ao governo nado-morto que aí vem já.

Desde Ricardo Salgado que lhe financiou a candidatura presidencial, até Dias Loureiro, que além de responsável na sua campanha presidencial, já foi seu ministro e Conselheiro de Estado, José Oliveira e Costa que foi secretário de Estado de Cavaco para os Assuntos Fiscais, detido em 2008 por fraude fiscal e branqueamento de capitais, no âmbito das alegadas irregularidades que levaram ao colapso e à nacionalização do BPN…, e por falar em BPN, Dias Loureiro, também seu Conselheiro de Estado. E Duarte Lima que presidiu ao grupo parlamentar do PSD, durante a segunda maioria absoluta de Cavaco Silva, e que responde pela morte de Rosalina Ribeiro mas ama a NATO de todo o coração.

Tudo gente de que se tem rodeado, europeístas e anti-comunistas de corpo e alma e bons-proveitos. 

Entretanto, se faltar alguém desta lista de políticos capazes e experientes, não terá dificuldade em encontrar gente da sua confiança ideológica na Comunicação Social, entre jornalistas enfeudados e comentadores encomendados. Afinal, uma curta licença chega para o serviço que lhes é pedido. 

Marques Mendes, do alto inacessível da sua altura intelectual, afirma que Cavaco Silva  irá designar António Costa para governar com o apoio do BE e do PCP, porque um governo de iniciativa presidencial seria chumbado no parlamento. E não nomeou Passos Coelho nessas mesmas contingências? 

Deixo apenas uma ressalva, eu que sou Marques mas não Mendes: apesar de tudo, da mente de Cavaco Silva tudo pode brutar, digo brotar; nunca se sabe. Assim ele imagine que um governo das esquerdas caia ao fim de pouco tempo para dar origem a eleições antecipadas que reconstruam uma maioria de direita. 

2015/10/17

Arcos há muitos

O "arco da governação" ardeu às mãos do PCP e do Bloco quando estes partidos se mostraram disponíveis para viabilizar um governo do Partido Socialista? Não faz mal, arranja-se outro arco. E nasce assim o "arco do europeísmo". 

E assim vai fazendo o seu caminho, o arco da impostura. Até onde nos leva? Até onde quiserem os portugueses. Isto é, até onde o suportarem. 

Os arcos nunca acabam, a paciência é que começa a dar sinais de cansaço.

A figura seguinte mostra como "os arcos" mudam...

2015/10/08

O governo põe
e o parlamento dispõe

Por alguma razão, a separação de poderes é uma característica fundamental do regime democrático.

Por definição, um parlamento independente do governo pode ser-lhe favorável ou desfavorável, pode apoiá-lo ou desapoiá-lo, pontual ou genericamente.


Não tem que fazê-lo sistematicamente. Mas pode, como tem acontecido com o governo da coligação PSD/CDS! Mas pode, como poderá acontecer se os deputados das esquerdas, interpretando os mandatos dos seus eleitores, coincidirem na reprovação das propostas do Governo.

O facto é que está em formação um governo de direita – como Cavaco faz questão de exigir! – e uma assembleia legislativa de esquerda. Nestas circunstâncias, o Governo põe... e a Assembleia dispõe.

2015/10/05

E agora, Portugal?


Agora o António Costa (finge que) faz exigências para viabilizar o Governo da direita, Passos Coelho (finge que) concorda, a Esquerda protesta e o Governo passa. 

Agora...!

(As percentagens apresentadas no quadro são resultados quase finais!)

2015/10/02

Às armas!

«A estratégia de Passos assenta em três pilares:

- primeiro, estes anos foram duros, mas o pior já passou;
- segundo, os portugueses conhecem-me e sabem que comigo não haverá aventuras;
- terceiro, o PS não merece confiança porque quer repetir alguns erros do passado e insiste em fazer promessas a mais».

Assim escrevia no Observador – e bem, a meu ver - José Manuel Fernandes, num dia do mês passado.



Se o PS não merece confiança, não são o Mentiroso e o Irrevogável que têm autoridade política para afirmá-lo – digo eu.


Se é uma aventura mudar de política, prosseguir a mesma política é um suicídio.

Se o pior já passou, então é porque a dívida pública de Portugal “já não é” a terceira maior da União Europeia (130%), o défice “já não é” de 4,7%, “já não há” 480 mil refugiados económicos a trabalhar noutros países, “já não há” um número esmagador de desempregados e sub-empregados, “já não há” cortes nas reformas e nas pensões…

Irá Passos Coelho assustar muita gente no próximo dia 4 de Outubro, com o papão do "aventureirismo" e da "irresponsabilidade"? Ai que medo!

Mais do que confiança, que em política é sempre relativa, os “heróis do mar” precisam de coragem; o “nobre Povo” precisa de afirmar a sua dignidade. Antes de mais, nas eleições. Às "armas"!

2015/09/15

É pró debate, é pró debate!

António Costa faz questão de não prometer… porque não sabe se as condições em que herdar a governação se revelarão diferentes das actuais.

Admitamos. Mas pode dizer o que fará se as condições forem as que hoje se conhecem! Se também não diz, isso não gera a apregoada Confiança dos eleitores.
Passos Coelho faz questão de não esclarecer como irá poupar 600 milhões de euros (por ano!) em "pensões públicas"… porque “depende daquilo que for a negociação que nós queremos ter com o PS sobre essa matéria". 

Mas pode dizer o que tem vontade de fazer, isto é, o que quer propor nessas negociações. Poder, pode. E deve. Mas não diz. Nós sabemos porquê.

2015/09/11

Eu quero lá saber

Faz bem a Comunicação Social em dar a mesma importância à vinda da pizza, que dá à vinda da troika!

A última coisa que me interessa saber pelos candidatos a governantes, é se foi Sócrates ou Passos Coelho que “mandou vir” o FMI, e se o Syrisa foi bem ou mal sucedido… na Grécia!

O que eu gostava mesmo de saber é o que vai acontecer às reformas e às pensões, aos impostos sobre os bens de consumo (IVA) e ao imposto que se paga por trabalhar (IRS); o que vai acontecer aos ordenados e aos desempregados; que condições de trabalho nos serão asseguradas, que Educação e que Saúde vamos ter, que Justiça, que transportes.

O resto é poluição política, poeira levantada num baile deNarcisos. São lutas de galos. E eu hei-de ser Pinto até morrer. Quero lá saber!...

Felizmente, também há partidos sem essa vocação de governar!

2015/09/09

Hoje há debacle?

Se o debate político de hoje, entre Coelho e Costa, PSD/… e PS, tiver a importância eleitoral que lhe anunciam, hoje há... debacle.

Se um deles desiludir o eleitorado hesitante, irá em desvantagem para o dia das eleições. Se desiludir o seu eleitorado natural, só para agradar aos flexíveis, irá cinzento, descaracterizado, desprezível.

António Costa é quem mais arrisca neste paradoxo, porque a coligação de direita já não engana ninguém – quem admite votar naqueles que andaram quatro anos a mentir e a roubar, não se move pela razão.


Ou António Costa se demarca das políticas da Direita, em termos sérios e convincentes, abrindo espaço para o voto útil no PS e captando a “maioria silenciosa” da esquerda, ou está a cavar em terreno pedregoso.

Termos convincentes envolvem propostas inteligentes e números credíveis. Maioria silenciosa de esquerda é aquela que se forma com os habituais abstencionistas e votantes em branco, contestatários passivos do regime faz-de-conta.

As eleições parlamentares não obedecem à mesma lógica das eleições autárquicas. Penso que os apoios que António Costa conseguir a nível nacional dependem mais das diferenças do que dos consensos. Outra coisa é que diferenças devem ser assinaladas.

A PROPÓSITO
Assim comentava António Vitorino (PS) o debate de Catarina Martins (BE) com Paulo Portas (CDS/PP). Sem mais comentários!

2014/10/29

Não haverá coligação, «prontos»!

Não, o CDS não vai concorrer às próximas eleições em coligação com o PSD.

Antes do mais, porque assim concentra no PSD o descontentamento popular, em vez de partilhar a derrota. Depois, porque fica disponível para uma aliança pós-eleitoral com o partido mais votado, seja o PS seja o próprio PSD. Finalmente, porque ambos os partidos da actual maioria têm interesse e oportunidade de contar o respectivo eleitorado.

Isto tudo sem prejuízo do CDS poder "roer a corda" de alguma maneira e sob qualquer pretexto, no contexto do actual mandato. Uma corda cuja tensão irá sendo avaliada em função da popularidade crescente ou decrescente de António Costa.

“E prontos!”. Fecha-se aqui o assunto.

Edição da imagem, original para este blog. Último parágrafo formalmente alterado depois de publicado.