Le fondateur de la France insoumise, Jean-Luc Mélenchon, devait retrouver à Lisbonne, jeudi soir, Pablo Iglesias (Podemos, Espagne) et Catarina Martins (Bloco, Portugal) pour lancer un nouveau mouvement politique européen. (L'HUMANITÉ)
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2018/04/15
2017/10/06
A "ingenuidade" do Bloco de Esquerda
Nos confrontos dos independentistas com a Polícia, na Catalunha, o número de feridos é tão credível como os “resultados do referendo”. Onde estão escondidos esses feridos? Onde estão os votos e os cadernos eleitorais e a fiscalização do referendo?
O que não foi inventado foi a utilização de crianças para servirem de escudos aos provocadores e para insultarem os polícias. Quanto às “provas” visuais da violência da polícia sobre os manifestantes, é preciso ser demasiado ingénuo para não perceber a manipulação a que obedece a respectiva edição de vídeo – até parece que os polícias da Guarda Civil vão à procura de transeuntes ordeiros para os espancar!
Mas Catarina Martins e José Soeiro fazem de conta que acreditam no referendo, no número de vítimas e na inocência dos manifestantes, para não corarem quando se aliam ao aventureirismo de Puigdemont.
E é pena.
E é pena.
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2016/06/17
Congressos partidários e tal
Um João e duas Catarinas irão disputar a direcção do Bloco de Esquerda (BE) – a Mesa Nacional – na Convenção marcada para os próximos dias 25 e 26.
Serão certamente "discutidas" questões de organização como a representação da diversidade interna, e questões de estratégia política como as próximas eleições autárquicas. Mas nada disto, como as outras coisas, se resolve numa sessão de discursos. Os congressos servem apenas para legitimar decisões que já foram tomadas nos bastidores ao longo de um processo mais ou menos assumido de negociações e avaliação de forças. É sempre assim, em todos os partidos.
Isto não quer dizer que os perdedores não aproveitem para marcar o seu descontentamento. Provavelmente ouviremos alguém dizer que «O Bloco de Esquerda precisa de se organizar e suprir as dificuldades que fazem com que, 17 anos depois da sua fundação, seja tão frágil a militância em grande parte dos concelhos do país, sem estruturas a funcionar, sem núcleos de empresa ou de escolas», e Catarina Príncipe reclamar que «Os órgãos de direcção do Bloco não foram tidos nem achados no desafio inicial lançado pela Catarina Martins ao António Costa. De uma maneira geral os e as militantes do Bloco acompanharam o processo do acordo pela comunicação social, sem nele terem participado». Cumprem-se as formalidades ociosas de um congresso ou de uma convenção!
Apesar de tudo, vale a pena ver até que ponto as tendências radicais que podem desmantelar a geringonça, encontram eco entre os participantes.
Sobre o desastre que poderia significar neste sentido, uma vitória da moção “B” de João Madeira, por exemplo, nada melhor do que ler o editorial do Avante de 13 de Dezembro de 2007!
À parte do que fica dito ou insinuado, os congressos partidários que tenho visto acontecerem desde sempre, destinam-se a convencer os seus militantes e o público em geral, de que são orgãos de decisão sobre as políticas e os políticos, isto é, que satisfazem as escolhas dos seus militantes.
Os que fingem melhor nesta matéria, há que reconhecê-lo, são o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda. Só porque os outros assumem este “bluff” sem pudor.
O BE não perde energia nem tempo que se compare ao que faz o PCP. Até pela razão óbvia de que não tem implantação de bases nem organização nem experiência que lho permita.
O PCP (e os partidos comunistas em geral) elaboram exaustivas teses, promovem incontáveis reuniões, difundem toneladas de papéis sobre os assuntos que irão ser “propostos” ao Congresso. Mas o sumo que os orgãos de direcção extraem de todo esse trabalho, não serve senão para dar volume à nata produzida por um reduzido núcleo de dirigentes – são as “propostas” que se destinam a ser aprovadas.
De resto, a elaboração dos documentos postos “à discussão”, o método de selecção das propostas recolhidas nas bases, e os métodos de “eleição” dos delegados, asseguram esse objectivo. Depois há a influência dos funcionários no funcionamento das reuniões e no encaminhamento de tais propostas, e, em última instância, digamos assim, há uma “comissão de redacção” com poder factico para filtrar aqueles “milhares de contributos” de que os partidos comunistas se gabam sempre e tanto, mas contributos destinados apenas ao “enriquecimento e aperfeiçoamento” do documento posto à discussão.
É uma certa interpretação do conceito bolchevique de “centralismo democrático” que, de resto, vigora sem nome nem pudor na direita e corre o risco de se implementar no Bloco se não tiverem juízo.
Serão certamente "discutidas" questões de organização como a representação da diversidade interna, e questões de estratégia política como as próximas eleições autárquicas. Mas nada disto, como as outras coisas, se resolve numa sessão de discursos. Os congressos servem apenas para legitimar decisões que já foram tomadas nos bastidores ao longo de um processo mais ou menos assumido de negociações e avaliação de forças. É sempre assim, em todos os partidos.
Isto não quer dizer que os perdedores não aproveitem para marcar o seu descontentamento. Provavelmente ouviremos alguém dizer que «O Bloco de Esquerda precisa de se organizar e suprir as dificuldades que fazem com que, 17 anos depois da sua fundação, seja tão frágil a militância em grande parte dos concelhos do país, sem estruturas a funcionar, sem núcleos de empresa ou de escolas», e Catarina Príncipe reclamar que «Os órgãos de direcção do Bloco não foram tidos nem achados no desafio inicial lançado pela Catarina Martins ao António Costa. De uma maneira geral os e as militantes do Bloco acompanharam o processo do acordo pela comunicação social, sem nele terem participado». Cumprem-se as formalidades ociosas de um congresso ou de uma convenção!
Apesar de tudo, vale a pena ver até que ponto as tendências radicais que podem desmantelar a geringonça, encontram eco entre os participantes.
Sobre o desastre que poderia significar neste sentido, uma vitória da moção “B” de João Madeira, por exemplo, nada melhor do que ler o editorial do Avante de 13 de Dezembro de 2007!
À parte do que fica dito ou insinuado, os congressos partidários que tenho visto acontecerem desde sempre, destinam-se a convencer os seus militantes e o público em geral, de que são orgãos de decisão sobre as políticas e os políticos, isto é, que satisfazem as escolhas dos seus militantes.
Os que fingem melhor nesta matéria, há que reconhecê-lo, são o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda. Só porque os outros assumem este “bluff” sem pudor.
O BE não perde energia nem tempo que se compare ao que faz o PCP. Até pela razão óbvia de que não tem implantação de bases nem organização nem experiência que lho permita.
O PCP (e os partidos comunistas em geral) elaboram exaustivas teses, promovem incontáveis reuniões, difundem toneladas de papéis sobre os assuntos que irão ser “propostos” ao Congresso. Mas o sumo que os orgãos de direcção extraem de todo esse trabalho, não serve senão para dar volume à nata produzida por um reduzido núcleo de dirigentes – são as “propostas” que se destinam a ser aprovadas.
De resto, a elaboração dos documentos postos “à discussão”, o método de selecção das propostas recolhidas nas bases, e os métodos de “eleição” dos delegados, asseguram esse objectivo. Depois há a influência dos funcionários no funcionamento das reuniões e no encaminhamento de tais propostas, e, em última instância, digamos assim, há uma “comissão de redacção” com poder factico para filtrar aqueles “milhares de contributos” de que os partidos comunistas se gabam sempre e tanto, mas contributos destinados apenas ao “enriquecimento e aperfeiçoamento” do documento posto à discussão.
É uma certa interpretação do conceito bolchevique de “centralismo democrático” que, de resto, vigora sem nome nem pudor na direita e corre o risco de se implementar no Bloco se não tiverem juízo.
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2016/02/27
Jesus tem muitas mães
Jesus tinha realmente dois pais, como sugere o cartaz do BE, entretanto censurado: o Pai do céu e o pai da Terra. Mas não viviam juntos…!
Já das mães não sei o que dizer, de tantas que são: Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora da Peneda, Nossa Senhora de Lurdes, Notre Dame de Paris, Nossa Senhora da Conceição, Senhora da Graça, Senhora da Hora, Senhora dos Aflitos…
Mas não brinquemos com as figuras sagradas. Isto é: com as nossas figuras sagradas. Maomé é outro assunto: somos todos Charlie Hebdo, n´est ce pas?!
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2015/10/19
Os dados estão lançados
para a formação do Governo
ANTÓNIO COSTA (PS) DIXIT
“As reuniões com PCP e BE foram construtivas. Com a coligação, uma (reunião) foi vazia e a outra, inconclusiva” Quanto ao entendimento com as esquerdas, “as medidas que encontrar estarão de acordo com as obrigações que Portugal tem e estarão de acordo com o cenário macro-económico do PS”.
Prioridades do Governo de esquerda, segundo A. Costa:
• combate à pobreza infantil
• condições de financiamento para as empresas
• conta corrente das empresas com o Estado
• reposição de vencimentos da função pública
• acelerar a eliminação da sobretaxa de IRS
• alterar escalões de IRS
Declarações mais recentes AQUI, nomeadamente:
"Só serei primeiro-ministro se houver maioria na Assembleia da República que apoie Governo liderado por mim".
CATARINA MARTINS (BE) DIXIT:
“O Bloco de Esquerda não faltará a uma solução de governo que seja capaz de recuperar os rendimentos do trabalho, salários e pensões, dignidade do trabalho, combate à precariedade e defender a dignidade do nosso país no combate à venda ao desbarato que está a ser feita”.
…
O Bloco "não abdica daquilo que afirmou na campanha eleitoral, mas sabe centrar-se no que é essencial num processo de convergência em que a convergência é essencial de todas as partes para que haja mudança real no país" e destacou que a questão da reestruturação da dívida é "uma questão inultrapassável" mas não limita diálogos.
Catarina Martins em 2015-10-16
JERÓNIMO DE SOUSA (PCP) DIXIT:
«Apresentaremos uma moção de rejeição do programa de um [eventual] governo PSD/CDS» e «estamos preparados e prontos para assumir todas as responsabilidades, incluindo governativas, necessárias à concretização de uma política que rompa com o rumo que arrastou o País para a actual situação.»
Jerónimo de Sousa em comício de 2015-10-09
«Mesmo não sendo possível essa convergência para uma política que responda às aspirações dos trabalhadores e do povo, o que de facto não é fácil, o quadro constitucional e a correlação de forças Assembleia da República em nada impedem o PS de formar Governo, apresentar o seu Programa e entrar em funções.
Nessa circunstância, como sempre, os trabalhadores e o povo poderão contar com o PCP para assegurar todas as medidas que correspondam aos seus direitos e interesses. Tudo o que não corresponda a esses objectivos, contará com a oposição do PCP.»
Jerónimo de Sousa após encontro com o Bloco de Esquerda em 2015-10-16, e no editorial do Avante do dia 15.
“As reuniões com PCP e BE foram construtivas. Com a coligação, uma (reunião) foi vazia e a outra, inconclusiva” Quanto ao entendimento com as esquerdas, “as medidas que encontrar estarão de acordo com as obrigações que Portugal tem e estarão de acordo com o cenário macro-económico do PS”.
Prioridades do Governo de esquerda, segundo A. Costa:
• combate à pobreza infantil
• condições de financiamento para as empresas
• conta corrente das empresas com o Estado
• reposição de vencimentos da função pública
• acelerar a eliminação da sobretaxa de IRS
• alterar escalões de IRS
Declarações mais recentes AQUI, nomeadamente:
"Só serei primeiro-ministro se houver maioria na Assembleia da República que apoie Governo liderado por mim".
CATARINA MARTINS (BE) DIXIT:
“O Bloco de Esquerda não faltará a uma solução de governo que seja capaz de recuperar os rendimentos do trabalho, salários e pensões, dignidade do trabalho, combate à precariedade e defender a dignidade do nosso país no combate à venda ao desbarato que está a ser feita”.
…
O Bloco "não abdica daquilo que afirmou na campanha eleitoral, mas sabe centrar-se no que é essencial num processo de convergência em que a convergência é essencial de todas as partes para que haja mudança real no país" e destacou que a questão da reestruturação da dívida é "uma questão inultrapassável" mas não limita diálogos.
Catarina Martins em 2015-10-16
JERÓNIMO DE SOUSA (PCP) DIXIT:
«Apresentaremos uma moção de rejeição do programa de um [eventual] governo PSD/CDS» e «estamos preparados e prontos para assumir todas as responsabilidades, incluindo governativas, necessárias à concretização de uma política que rompa com o rumo que arrastou o País para a actual situação.»
Jerónimo de Sousa em comício de 2015-10-09
«Mesmo não sendo possível essa convergência para uma política que responda às aspirações dos trabalhadores e do povo, o que de facto não é fácil, o quadro constitucional e a correlação de forças Assembleia da República em nada impedem o PS de formar Governo, apresentar o seu Programa e entrar em funções.
Nessa circunstância, como sempre, os trabalhadores e o povo poderão contar com o PCP para assegurar todas as medidas que correspondam aos seus direitos e interesses. Tudo o que não corresponda a esses objectivos, contará com a oposição do PCP.»
Jerónimo de Sousa após encontro com o Bloco de Esquerda em 2015-10-16, e no editorial do Avante do dia 15.
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2015/09/29
Os olhos de Catarina
Os olhos de Catarina
têm um sonho pintado
Os olhos de Catarina
têm um sonho pintado
Sim Catarina ó i ó ai
sim Catarina ó ai meu bem
Sim Catarina ó i ó ai
sim Catarina ó ai meu bem
Quando a Catarina fala
o Coelho dá ao rabo
Quando a Catarina fala
o Coelho dá ao rabo
Sim Catarina ó i ó ai
sim Catarina ó ai meu bem
Sim Catarina ó i ó ai
sim Catarina ó ai meu bem
NOTAS:
têm um sonho pintado
Os olhos de Catarina
têm um sonho pintado
Sim Catarina ó i ó ai
sim Catarina ó ai meu bem
Sim Catarina ó i ó ai
sim Catarina ó ai meu bem
o Coelho dá ao rabo
Quando a Catarina fala
o Coelho dá ao rabo
Sim Catarina ó i ó ai
sim Catarina ó ai meu bem
Sim Catarina ó i ó ai
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2015/07/25
O medo de Cavaco
Assustado com a perspectiva de as esquerdas acolherem os votos de protesto nas próximas eleições, Cavaco Silva, logo secundado por Passos Coelho, apelam ao chamado "voto útil", isto é, à concentração dos votos nos maiores partidos que podem - que poderiam! - alcançar uma maioria absoluta.
É preciso suster a subida das esquerdas - pareceu-me ouvi-lo dizer no recente discurso.
O que aconteceu nas eleições da Grécia e o que está a acontecer na Espanha do Podemos, na Itália de Beppe Grillo e, apesar de tudo, o susto que foi o Ukip na Grã-Bretanha até ao dia das eleições de 2015, faz tremer a Europa dos liberais. E Cavaco puxa os cordelinhos para que isso não aconteça em Portugal. O problema dele é o vento, são os ventos...
É preciso suster a subida das esquerdas - pareceu-me ouvi-lo dizer no recente discurso.
O que aconteceu nas eleições da Grécia e o que está a acontecer na Espanha do Podemos, na Itália de Beppe Grillo e, apesar de tudo, o susto que foi o Ukip na Grã-Bretanha até ao dia das eleições de 2015, faz tremer a Europa dos liberais. E Cavaco puxa os cordelinhos para que isso não aconteça em Portugal. O problema dele é o vento, são os ventos...
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2014/12/11
A Esquerda que temos
Fotos: Catarina Martins, Ana Drago e Joana Amaral Dias.
Não basta dizer “Podemos”, para poder. Não basta dizer-se “Livre”, para sê-lo. Não basta chamar-se Bloco, para ser uno e consistente. Não basta pescar umas frases na corrente de opinião, copiar umas ideias avulsas na doutrina marxista, e refrescar o imaginário da Esquerda com derivas de estilo. Se a esquerda ainda está a fazer caminho na História, não é por falta de estilo e menos ainda por falta de imaginação literária ou de criatividade figurativa.
É claro que os processos e estilos de comunicação dos actores políticos no espaço público, são fundamentais para persuadir e mover as populações. Já Aristóteles o ensinava. Mas política não é poesia! O conhecimento, a experiência e a capacidade de organização é que são determinantes na acção política. Juntar tudo isto com a retórica numa mesma pessoa, faz de um político um ser excepcional. Álvaro Cunhal foi um exemplo raro deste modelo. Que tivesse contra si o tempo histórico, não diminui o seu mérito.
No panorama actual da política portuguesa, o PCP é, a meu ver, o mais consistente e consequente partido de esquerda, mas Jerónimo de Sousa não tem imagem nem estilo nem retórica nem dimensão intelectual para interpretar a realidade social além da divisão das classes; para exprimir os anseios populares, além do vocabulário sindical; para desconstruir a narrativa dominante, além da cacofonia; para imprimir um impulso dinamizador no processo revolucionário que paira fragmentado na sombra do sistema vigente.
Jerónimo tem a generosidade, a dedicação e a experiência de trabalho revolucionário que o distinguem positivamente de outros activistas de esquerda, e tem sobretudo o apoio e enquadramento organizado de um partido que não transige com o oportunismo político. Mas além das carências a que me refiro atrás, e duma visão estreita sobre amigos e inimigos – burgueses, traidores, folhas secas… - não tem coragem intelectual para clarificar os fins e os meios do seu modelo de sociedade. Assim sendo, o PCP é uma fonte de desconfiança.
Nestas condições, o PCP deixa que o espaço de Esquerda fique entregue a uma constelação de meteoros academicamente brilhantes, que vão dos mais frágeis conglomerados aos marmóreos mais flexíveis, ficando os respectivos eleitores a escolher entre loiras e morenas à falta de outras diferenças.
Não basta dizer “Podemos”, para poder. Não basta dizer-se “Livre”, para sê-lo. Não basta chamar-se Bloco, para ser uno e consistente. Não basta pescar umas frases na corrente de opinião, copiar umas ideias avulsas na doutrina marxista, e refrescar o imaginário da Esquerda com derivas de estilo. Se a esquerda ainda está a fazer caminho na História, não é por falta de estilo e menos ainda por falta de imaginação literária ou de criatividade figurativa.
É claro que os processos e estilos de comunicação dos actores políticos no espaço público, são fundamentais para persuadir e mover as populações. Já Aristóteles o ensinava. Mas política não é poesia! O conhecimento, a experiência e a capacidade de organização é que são determinantes na acção política. Juntar tudo isto com a retórica numa mesma pessoa, faz de um político um ser excepcional. Álvaro Cunhal foi um exemplo raro deste modelo. Que tivesse contra si o tempo histórico, não diminui o seu mérito.
No panorama actual da política portuguesa, o PCP é, a meu ver, o mais consistente e consequente partido de esquerda, mas Jerónimo de Sousa não tem imagem nem estilo nem retórica nem dimensão intelectual para interpretar a realidade social além da divisão das classes; para exprimir os anseios populares, além do vocabulário sindical; para desconstruir a narrativa dominante, além da cacofonia; para imprimir um impulso dinamizador no processo revolucionário que paira fragmentado na sombra do sistema vigente.
Jerónimo tem a generosidade, a dedicação e a experiência de trabalho revolucionário que o distinguem positivamente de outros activistas de esquerda, e tem sobretudo o apoio e enquadramento organizado de um partido que não transige com o oportunismo político. Mas além das carências a que me refiro atrás, e duma visão estreita sobre amigos e inimigos – burgueses, traidores, folhas secas… - não tem coragem intelectual para clarificar os fins e os meios do seu modelo de sociedade. Assim sendo, o PCP é uma fonte de desconfiança.
Nestas condições, o PCP deixa que o espaço de Esquerda fique entregue a uma constelação de meteoros academicamente brilhantes, que vão dos mais frágeis conglomerados aos marmóreos mais flexíveis, ficando os respectivos eleitores a escolher entre loiras e morenas à falta de outras diferenças.
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2014/01/06
Afinal a Esquerda existe
Uma fuga de informação trouxe ao meu conhecimento o seguinte
texto subscrito pelas direcções do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português.
«Fartos de ouvir e repetir a mal-feitoria das políticas da Direita e da incapacidade da Esquerda para se impôr como alternativa, e não aceitando que o papel da Esquerda seja apenas a denúncia e a queixa sem outras consequências nem iniciativas, o PCP e o BE, propõem-se:
1. Elaborar um projecto próprio de Reforma do Estado;
«Fartos de ouvir e repetir a mal-feitoria das políticas da Direita e da incapacidade da Esquerda para se impôr como alternativa, e não aceitando que o papel da Esquerda seja apenas a denúncia e a queixa sem outras consequências nem iniciativas, o PCP e o BE, propõem-se:
2.Convidar o PS a participar na respectiva elaboração;
3.Apresentar ao país o projecto conjunto dos três partidos;
4.Solicitarem os três partidos a marcação de eleições antecipadas, ao Presidente da República;
5.Apresentarem-se os três, coligados às eleições, adoptando a sua Reforma do Estado como base do programa da coligação;
6.Complementar o Programa Eleitoral desta coligação com outras propostas mínimas em matéria de mais curto prazo».
Seguem-se duas assinaturas… irreconhecíveis.
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2011/04/08
Pela Esquerda Unida
para depor a Direita
«O Bloco tem crescido em todas as eleições nacionais. Em dez anos, passou de 2 para 16 deputadas e deputados, e de menos de 2% para cerca de 10%. Nenhum outro partido na história da democracia portuguesa obteve estes resultados sustentados. O Bloco de Esquerda é uma força nacional e é uma força social representativa». Assim afirmava a sua Comissão Política ao analisar os resultados das eleições de 27 de Setembro de 2009, para a Assembleia da República.
Por sua vez e na mesma circunstância, Jerónimo de Sousa declarava: «O resultado da CDU traduzido no aumento da sua expressão eleitoral, com um resultado de cerca de 8% no quadro do aumento do seu número de votos, constitui (...) um importante estimulo para a construção de mais e maiores avanços nas próximas eleições autárquicas». E, mais adiante: «O resultado do PSD, associado à perda da maioria absoluta pelo PS, confirma o descrédito da política da direita».
A situação política parece apontar para uma continuada perda de votos do PS que tenderão a beneficiar o PSD, mas não menos parece razoável esperar que um e outro destes partidos despejem votos para a abstenção devido à semelhança de políticas e de estilos. Isto reforça a necessidade da esquerda real atrair para si a expressão da desilusão nos partidos “do arco da governação” tradicional.
Da reunião entre o BE e o PCP recorto esta passagem da declaração do PCP que muitos gostariam, e gostariam muito, que fosse levada a sério pelos participantes e por aqueles a quem o seu projecto de convergência apela:
«A actual situação impõe uma ruptura com a política de direita, uma política alternativa patriótica e de esquerda capaz de abrir caminho ao desenvolvimento económico, ao progresso social e à afirmação soberana do interesse nacional, que exige para a sua concretização a formação dum governo patriótico e de esquerda, capaz de assegurar uma nova fase da vida do País. Um governo constituído com base nas forças e sectores políticos, democratas e personalidades independentes, que se identificam com a política patriótica e de esquerda, apoiado pelas organizações e movimentos de massas dos sectores sociais anti-monopolistas».
Se alguma coisa a Esquerda tem que aprender com a Direita é a remeter para segundo plano os preconceitos sectários em benefício dos objectivos políticos. O Bloco dá mostras de ter evoluído das suas “jogadas individualistas” de colagem oportunista a Manuel Alegre, e o PCP mostra-se receptivo a essa evolução e tem a coragem de acalmar finalmente no seu interior as correntes mais fechadas. Se isto for para continuar, ainda vai valer a pena celebrar o “25 de Abril”.
«O Bloco tem crescido em todas as eleições nacionais. Em dez anos, passou de 2 para 16 deputadas e deputados, e de menos de 2% para cerca de 10%. Nenhum outro partido na história da democracia portuguesa obteve estes resultados sustentados. O Bloco de Esquerda é uma força nacional e é uma força social representativa». Assim afirmava a sua Comissão Política ao analisar os resultados das eleições de 27 de Setembro de 2009, para a Assembleia da República. Por sua vez e na mesma circunstância, Jerónimo de Sousa declarava: «O resultado da CDU traduzido no aumento da sua expressão eleitoral, com um resultado de cerca de 8% no quadro do aumento do seu número de votos, constitui (...) um importante estimulo para a construção de mais e maiores avanços nas próximas eleições autárquicas». E, mais adiante: «O resultado do PSD, associado à perda da maioria absoluta pelo PS, confirma o descrédito da política da direita».
A situação política parece apontar para uma continuada perda de votos do PS que tenderão a beneficiar o PSD, mas não menos parece razoável esperar que um e outro destes partidos despejem votos para a abstenção devido à semelhança de políticas e de estilos. Isto reforça a necessidade da esquerda real atrair para si a expressão da desilusão nos partidos “do arco da governação” tradicional.
Da reunião entre o BE e o PCP recorto esta passagem da declaração do PCP que muitos gostariam, e gostariam muito, que fosse levada a sério pelos participantes e por aqueles a quem o seu projecto de convergência apela:
«A actual situação impõe uma ruptura com a política de direita, uma política alternativa patriótica e de esquerda capaz de abrir caminho ao desenvolvimento económico, ao progresso social e à afirmação soberana do interesse nacional, que exige para a sua concretização a formação dum governo patriótico e de esquerda, capaz de assegurar uma nova fase da vida do País. Um governo constituído com base nas forças e sectores políticos, democratas e personalidades independentes, que se identificam com a política patriótica e de esquerda, apoiado pelas organizações e movimentos de massas dos sectores sociais anti-monopolistas».
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