O tema trazido neste dia à homilia da Igreja Católica invoca uma reunião secreta de Jesus com os discípulos ali para os lados da Síria, do Líbano ou de Israel. Mais propriamente, a Igreja invoca uma discussão entre os participantes sobre qual deles é o mais importante!
No domínio pessoal, a ambição de prestígio social é uma característica humana que não só se manifesta na política e no futebol mas também na religião como a História demonstra. Dirigir um clube, um partido ou uma ceita, é um objectivo que mobiliza, muitas vezes, métodos inconfessáveis como a conspiração, a corrupção, a violência pessoal ou de estado.
O Papa Francisco já tem denunciado a corrupção existente no próprio Vaticano, dizendo que na estrutura da Igreja pode encontrar-se "uma atmosfera mundana e principesca" e acrescentando que os religiosos "têm de contribuir para destruir este ambiente nefasto".
Jesus, que não conheceu pessoalmente este Papa, alertou também os seus discípulos nesta matéria (Marcos cap.30,v.33-35):
- O que é que vocês vinham a discutir no caminho?
Mas eles guardaram silêncio, porque no caminho haviam discutido sobre quem era o maior.
Sentando-se, Jesus chamou os Doze e disse: "Se alguém quiser ser o primeiro, será o último, e servo de todos".
Convenhamos que há alguma ambiguidade neste discurso, quer pensemos em Ronaldo, em Patrícia Mamona ou em Fátima Carneiro que acaba de ser eleita a patologista mais influente do mundo... Mas há que atender ao contexto. No contexto e no sentido oculto dos discursos é que está a verdade! Por isso é que foram inventados os “comentadores” a quem Deus conferiu o poder interpretar os factos. E não falo só dos comentadores que interpretam "as palavras de Deus", os sacerdotes, falo também dos comentadores generalistas, por assim dizer, que fazem carreira nos jornais e nas estações de televisão nem sempre com rigorosas intenções.
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2018/09/23
2013/08/30
Eles andam aí, são do FMI
O Fundo Monetário Internacional (FMI) tem sido, no quadro da ‘troika', a instituição mais preocupada com as consequências económicas das medidas de ajustamento orçamental, mas a agenda de mudança no mercado laboral que mantém viva e quer reabrir na oitava e nona avaliações só pode significar que ainda não percebeu bem o País onde está. E o que se passou nos últimos dois anos. (Blá blá blá blá…) A intenção é bondosa, os resultados “seriam” catastróficos.
Assim escreve (29Ago)um tal António Costa, muito requisitado “comentador” económico alojado no jornal Económico.
Merecem a nossa ternura estes analistas ingénuos, angelicais, que não distinguem entre a Madre Teresa de Calcutá e a Madame Christine Lagarde.
Assim escreve (29Ago)um tal António Costa, muito requisitado “comentador” económico alojado no jornal Económico.
Merecem a nossa ternura estes analistas ingénuos, angelicais, que não distinguem entre a Madre Teresa de Calcutá e a Madame Christine Lagarde.
2012/02/01
Bastidores da TV
(texto não recomendável para estômagos sensíveis)
O programa apresentava e comentava eventos culturais. Era gravado semanalmente no pequeno Estúdio 4 do Lumiar. Participavam sempre os mesmos destacados homens da cultura, especializados em diferentes áreas: arte, cinema,literatura. Foi muito antes do Acontece (digo para evitar confusões).
Uma dessas gravações coincidiu, dia e hora, com a expectativa de mudança do Governo. Bem eu queria juntar os participantes no estúdio, para começarmos a gravação, mas eles não recolhiam às tábuas do cenário, deambulavam circunspectos pelo pátio exterior, fazendo jus ao nome que nós dávamos àquele espaço: o “Pátio das Malucas”.
A presunção, a arrogância intelectual destes narcisos, explicava para mim aquela birra, mas havia que rendibilizar o tempo de utilização do estúdio e eles teimavam em fazer-se surdos à minha insistência. Até que lhes ouvi, entre-dentes, comentar: “Enquanto não se souber se há mudança de Governo, não podemos continuar”.
A superioridade daqueles deuses da arte, da cultura, ruiu desamparada, então. Outro valor mais alto que a elevação intelectual, os dominava: o oportunismo político!
Eles andam aí armados em primas-donas, primos uomos, gente que não vê a realidade, por mais que ela se insinue, de tal modo está fascinada por si mesma. À mistura com gente séria, passam pelo que não são.
Nunca mais pude vê-los e ouvi-los sem que um mal-estar, um enjoo, uma ânsia de vómito se começasse a formar no meu estômago. As mais das vezes, porém, tudo o que se liberta pela minha boca é um grito: gatunos, devolvam-me a inocência!
Imagem inserida: "Eco e Narciso", de John William Waterhouse
O programa apresentava e comentava eventos culturais. Era gravado semanalmente no pequeno Estúdio 4 do Lumiar. Participavam sempre os mesmos destacados homens da cultura, especializados em diferentes áreas: arte, cinema,literatura. Foi muito antes do Acontece (digo para evitar confusões).
Uma dessas gravações coincidiu, dia e hora, com a expectativa de mudança do Governo. Bem eu queria juntar os participantes no estúdio, para começarmos a gravação, mas eles não recolhiam às tábuas do cenário, deambulavam circunspectos pelo pátio exterior, fazendo jus ao nome que nós dávamos àquele espaço: o “Pátio das Malucas”.
A presunção, a arrogância intelectual destes narcisos, explicava para mim aquela birra, mas havia que rendibilizar o tempo de utilização do estúdio e eles teimavam em fazer-se surdos à minha insistência. Até que lhes ouvi, entre-dentes, comentar: “Enquanto não se souber se há mudança de Governo, não podemos continuar”.
A superioridade daqueles deuses da arte, da cultura, ruiu desamparada, então. Outro valor mais alto que a elevação intelectual, os dominava: o oportunismo político!
Eles andam aí armados em primas-donas, primos uomos, gente que não vê a realidade, por mais que ela se insinue, de tal modo está fascinada por si mesma. À mistura com gente séria, passam pelo que não são.
Nunca mais pude vê-los e ouvi-los sem que um mal-estar, um enjoo, uma ânsia de vómito se começasse a formar no meu estômago. As mais das vezes, porém, tudo o que se liberta pela minha boca é um grito: gatunos, devolvam-me a inocência!
Imagem inserida: "Eco e Narciso", de John William Waterhouse
2009/11/23
Marx via televisão ?
Para Karl Marx ter dito que «as ideias dominantes são as ideias da classe dominante» é imperioso que já nessa altura visse televisão. Alertado pela ficção e os documentários, a informação, os comentadores e os comentários difundidos na língua mãe que é o inglês, ou traduzidos para analfabetos, em português, não lhe foi difícil chegar à mesma conclusão a que todos nós já chegámos: que os orgãos de difusão – chamados de comunicação – obedecem todos a uma mesma voz, a voz do dono.
Que caiam na esparrela – laço e lapso – de se denunciarem a si mesmos no assombro das entrevistas, isso é que chega a ser surpreendente, tão treinados que estão nas artes da manipulação.
O José Alberto Carvalho que me perdoe – ou não – mas calhou a vez dele ser trazido à berlinda. Por uma questão de oportunidade que não de raridade.
Da entrevista de José Alberto Carvalho,
Director de Informação da RTP, ao JN :
«JN - Outro assunto por esclarecer é o do futuro dos programas de Marcelo Rebelo de Sousa e António Vitorino. Os contratos terminam no primeiro trimestre de 2010... (...)Vai haver alterações?
JAC - Nada está fechado. (...) Mas - este mas é muito importante - a RTP é mais forte e mais influente com os comentários do professor Marcelo e do doutor Vitorino. E eu quero continuar a contar com eles. (...)
JN - Já agora, que apreciação lhe merece a extinção do "Jornal Nacional" de sexta-feira?
JAC - Quando há um programa que não cumpre as regras, não honra as princípios éticos e deontológicos do jornalismo, não respeita a própria civilidade no tratamento das pessoas, confunde jornalismo com militância, tenho dificuldade em comentar... »
JN.sapo.pt 2009-11-23
E eu, “director” deste blogue, mais dificuldade tenho em comentar a militância de quem está empenhado em garantir a influência de Marcelo e Vitorino na formação da opinião pública. Não é como em Cuba, mas também é preocupante.
Que caiam na esparrela – laço e lapso – de se denunciarem a si mesmos no assombro das entrevistas, isso é que chega a ser surpreendente, tão treinados que estão nas artes da manipulação.
O José Alberto Carvalho que me perdoe – ou não – mas calhou a vez dele ser trazido à berlinda. Por uma questão de oportunidade que não de raridade.Da entrevista de José Alberto Carvalho,
Director de Informação da RTP, ao JN :
«JN - Outro assunto por esclarecer é o do futuro dos programas de Marcelo Rebelo de Sousa e António Vitorino. Os contratos terminam no primeiro trimestre de 2010... (...)Vai haver alterações?
JAC - Nada está fechado. (...) Mas - este mas é muito importante - a RTP é mais forte e mais influente com os comentários do professor Marcelo e do doutor Vitorino. E eu quero continuar a contar com eles. (...)
JN - Já agora, que apreciação lhe merece a extinção do "Jornal Nacional" de sexta-feira?
JAC - Quando há um programa que não cumpre as regras, não honra as princípios éticos e deontológicos do jornalismo, não respeita a própria civilidade no tratamento das pessoas, confunde jornalismo com militância, tenho dificuldade em comentar... »
JN.sapo.pt 2009-11-23
E eu, “director” deste blogue, mais dificuldade tenho em comentar a militância de quem está empenhado em garantir a influência de Marcelo e Vitorino na formação da opinião pública. Não é como em Cuba, mas também é preocupante.
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comentadores,
Comunicação Social,
Pluralismo
2008/04/06
A superioridade moral dos comentadores
Nas águas mornas do comentarismo televisivo ou nas águas quentes do irracionalismo comicial, pululam peixes graúdos e miúdos, e outra bicharada que tem a boca larga e uma fome grande. Não serão águas limpas mas são perfumadas, não serão águas claras mas são iluminadas, não serão águas puras mas são certificadas.
Ali medram, ali comem, ali matam qualquer bichinho magro e impertinente. Vivem de águas paradas, digo paralizantes, do conformismo mais ou menos mascarado.
Um dia cai a máscara e são... o que são!
Falta-lhes a coragem, o arrojo verdadeiro de que dão prova os rios. Basta-lhes a coragem de ficarem margens. Pacíficas, frondosas e sedentas margens, ao rio devem tudo o que as faz viver, mas para que não pareça, blasfemam contra ele, arremessam-lhe pedras. Não blasfemam, discursam; não arremessam, apenas depositam...
Sob o manto diáfano da independência, a nudez crua da subserviência. Da catedral do mágico poder às igrejas do rico capital, estende-se, laranja cor-de-rosa ou amarela, a passadeira que já viu passar os mais suados sapatos de verniz.
Ali medram, ali comem, ali matam qualquer bichinho magro e impertinente. Vivem de águas paradas, digo paralizantes, do conformismo mais ou menos mascarado.
Um dia cai a máscara e são... o que são!
Falta-lhes a coragem, o arrojo verdadeiro de que dão prova os rios. Basta-lhes a coragem de ficarem margens. Pacíficas, frondosas e sedentas margens, ao rio devem tudo o que as faz viver, mas para que não pareça, blasfemam contra ele, arremessam-lhe pedras. Não blasfemam, discursam; não arremessam, apenas depositam...
Sob o manto diáfano da independência, a nudez crua da subserviência. Da catedral do mágico poder às igrejas do rico capital, estende-se, laranja cor-de-rosa ou amarela, a passadeira que já viu passar os mais suados sapatos de verniz.
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