Lá vem a Lagarde
Toda sorridente
Decide a pobreza
Para muita gente
No salão dourado
Evidente mente.
Lá vai a Lagarde
Feliz e contente
De boca fechada
Não lhe caia um dente.
À noite adormece
A sua consciência
Certa de que o Povo
Tem muita paciência
Sonha com Zelensky
A matar Putin
E o Banco Central
No centro de Pequim
E assim…
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2023/03/17
2020/05/25
Milhões há muitos...
Não, a Edp não se destina a distribuir gás e electricidade
mas sim a distribuir milhões de euros aos accionistas!
São 694,7 milhões!
mas sim a distribuir milhões de euros aos accionistas!
São 694,7 milhões!
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2016/10/06
Guterres ainda não ganhou
Alguém diz a Guterres:
- Então já ganhaste?!
Guterres responde:
- Não, só ganho a partir de Janeiro...
Dos cinco "Grupos Regionais da ONU", o Grupo da Europa de Leste é o único que nunca teve um secretário-geral na ONU. Isto não será indiferente ao aparecimento de duas candidatas da Bulgária.
Afinal e em última análise, quem escolheu Guterres não fui eu nem foi Marcelo, foi um tal Conselho de Segurança da ONU, do qual têm direito a veto os Estados Unidos, a França, o Reino Unido, a Rússia e a República Popular da China, isto é, 2 pró-Leste e 3 pró-Ocidente, o que confere a estes um poder decisivo.
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2015/12/10
Foi você que pediu aumento do salário mínimo?
Por via de regra, os contribuintes de alto rendimento representam uma parcela muito significativa do IRS cobrado, em países onde a tributação é levada a sério. Chegam a representar 20 a 25% da tributação em IRS.
Em Portugal não chegam a representar… meio por cento!
Assim falava José Azevedo Pereira, ex-Director Geral dos Impostos entre 2007 e 2014. Ouvi eu “com estes dois que a terra há-de comer”, no programa Negócios da Semana de ontem (2015-12-09).
Mais. As famílias ou agregados portugueses com alto rendimento são cerca de mil, mas apenas duzentas destas, aproximadamente, são realmente tributadas!
E agora – digo eu – venham enganar-nos com o argumento de que não vale nada preocuparmo-nos com os ricos que não pagam impostos porque “quase não há ricos” e os que há “não justificam” um agravamento de impostos.
Sob o manto diáfano da demagogia, a nudez crua da ladroagem. De alto rendimento!...
(Caricatura recolhida no Google)
Em Portugal não chegam a representar… meio por cento!
Assim falava José Azevedo Pereira, ex-Director Geral dos Impostos entre 2007 e 2014. Ouvi eu “com estes dois que a terra há-de comer”, no programa Negócios da Semana de ontem (2015-12-09).
Mais. As famílias ou agregados portugueses com alto rendimento são cerca de mil, mas apenas duzentas destas, aproximadamente, são realmente tributadas!
E agora – digo eu – venham enganar-nos com o argumento de que não vale nada preocuparmo-nos com os ricos que não pagam impostos porque “quase não há ricos” e os que há “não justificam” um agravamento de impostos.
Sob o manto diáfano da demagogia, a nudez crua da ladroagem. De alto rendimento!...
(Caricatura recolhida no Google)
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2015/09/25
É a retoma a funcionar!
No domínio financeiro, “nada se cria e nada se perde” – tudo muda de mãos! Se os pobres estão mais pobres, os ricos estão cada vez mais ricos.
E como é que isto "se" cconsegue? Baixando os salários, aumentando o tempo de trabalho e o esforço dos trabalhadores, pagando menos impostos sobre os lucros (IRC) e não taxando os rendimentos do capital. Em tudo isto não há o tal “mérito das empresas” como faz passar Coelho e Portas; há escolhas políticas ao serviço das grandes fortunas.
Fontes:
2013
O "Relatório de Ultra Riqueza no Mundo 2013" confirma que em Portugal não só cresceu o número de multimilionários como aumentou o valor global das suas fortunas, de 90 para 100 mil milhões de dólares (mais 11,1%). (DN)
2015
Este ano, as maiores fortunas portuguesas valem mais 500 milhões. (TSF)
E como é que isto "se" cconsegue? Baixando os salários, aumentando o tempo de trabalho e o esforço dos trabalhadores, pagando menos impostos sobre os lucros (IRC) e não taxando os rendimentos do capital. Em tudo isto não há o tal “mérito das empresas” como faz passar Coelho e Portas; há escolhas políticas ao serviço das grandes fortunas.
Fontes:
2013
O "Relatório de Ultra Riqueza no Mundo 2013" confirma que em Portugal não só cresceu o número de multimilionários como aumentou o valor global das suas fortunas, de 90 para 100 mil milhões de dólares (mais 11,1%). (DN)
2015
Este ano, as maiores fortunas portuguesas valem mais 500 milhões. (TSF)
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2014/04/08
Coelho ao mar...
Quatro bombas termonucleares caíram em Palomares, localidade espanhola de Almeria, em Janeiro de 1966.
Uma delas caíu no mar, sendo localizada e recuperada 80 dias depois. Para “demonstrar” que “não provocara qualquer perigo” de contaminação para os utilizadores da praia frequentada por pescadores e turistas, o ministro de Franco, Manuel Fraga Iribarne, fez-se filmar a tomar banho naquelas águas.
Palomares tornou-se a localidade mais radioactiva de Espanha.
Em 1989, Marcelo Rebelo de Sousa fez-se filmar durante um mergulho no Tejo, no âmbito da inauguração da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcântara. Consta que se preveniu com uma boa vacinação… Era candidato a presidente da Câmara de Lisboa.
O banho não convenceu a população que deu a vitória a Jorge Sampaio.
Conclusão: já era tempo de Passos Coelho ir nadar no mar da pobreza, para nos provar as suas convicções.
Recortado em RTP
Uma delas caíu no mar, sendo localizada e recuperada 80 dias depois. Para “demonstrar” que “não provocara qualquer perigo” de contaminação para os utilizadores da praia frequentada por pescadores e turistas, o ministro de Franco, Manuel Fraga Iribarne, fez-se filmar a tomar banho naquelas águas.
Palomares tornou-se a localidade mais radioactiva de Espanha.
Em 1989, Marcelo Rebelo de Sousa fez-se filmar durante um mergulho no Tejo, no âmbito da inauguração da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcântara. Consta que se preveniu com uma boa vacinação… Era candidato a presidente da Câmara de Lisboa.
O banho não convenceu a população que deu a vitória a Jorge Sampaio.
Conclusão: já era tempo de Passos Coelho ir nadar no mar da pobreza, para nos provar as suas convicções.
Recortado em RTP
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2014/02/05
Não há dinheiro (5)
No programa Política Mesmo (TVI24) de 2014-01-16, Manuela Ferreira Leite denunciou que Orçamento do Estado para 2014 tem uma “dotação provisional” prevista "superior a 533 milhões euros", pelo que não seriam necessários novos cortes após a verificação de inconstitucionalidade da proposta do Governo.
Em 2002, enquanto Ministra das Finanças, ela própria tinha apenas 150 milhões de euros. E em 2009, o seu homólogo socialista Teixeira dos Santos dispunha de 310 milhões.
Enquanto o governo pratica uma sistemática e brutal punção sobre os magros rendimentos trabalhadores, pensionistas e reformados, acumula vultuosas reservas para finalidades desconhecidas. Ou será para fazer uma festinha na proximidade das eleições?
A PROPÓSITO
Em 2012, o Estado concedeu 9 milhões de euros à Federação Portuguesa de Futebol e 8 milhões à Mota-Engil… porque…, porque…, porque… não há dinheiro! (ionline.pt 3Fev2014).
Gráfico recolhido em "resistir.info"
Em 2002, enquanto Ministra das Finanças, ela própria tinha apenas 150 milhões de euros. E em 2009, o seu homólogo socialista Teixeira dos Santos dispunha de 310 milhões.
Enquanto o governo pratica uma sistemática e brutal punção sobre os magros rendimentos trabalhadores, pensionistas e reformados, acumula vultuosas reservas para finalidades desconhecidas. Ou será para fazer uma festinha na proximidade das eleições?
A PROPÓSITO
Em 2012, o Estado concedeu 9 milhões de euros à Federação Portuguesa de Futebol e 8 milhões à Mota-Engil… porque…, porque…, porque… não há dinheiro! (ionline.pt 3Fev2014).
Gráfico recolhido em "resistir.info"
2013/12/21
2013/11/29
Não há dinheiro (3)
Os 25 mais ricos de Portugal são hoje donos de 10% do PIB, quando há um ano as suas fortunas não chegavam aos 8,5% do PIB.
Conclusão:
a crise é mesmo uma oportunidade!
O fosso entre ricos e pobres e o enriquecimento à custa da pobreza, não são um fenómeno novo nem português, claro. Os socialistas (propriamente ditos) de todo o mundo andam a denunciar isso há mais de um século...
Não é sequer inteiramente novo que a Igreja Católica denuncie as injustiças sociais em termos tão contundentes como acaba de fazê-lo o Papa Francisco. Na encíclica Populorum Progressio fala-se, por exemplo, no "escândalo de desproporções revoltantes, não só na posse dos bens mas ainda no exercício do poder".
O que pode ser novo é o grau de exploração que se atingiu, avaliado pela desproporção a que se chegou entre os rendimentos.
A notícia de ontem, é exemplar: «a reforma complementar de 21 milhões de euros prevista no contrato do ainda presidente do grupo PSA (Peugeot-Citroën), está a chocar a França e foi um dos temas abordados na reunião de hoje do conselho de ministros francês». Em Portugal, notícias equivalentes são interpretadas como bons sinais do mérito dos nossos gestores, porventura objecto de condecorações.
É a crise, a crise moral - coisas de que não tratam os juristas e menos ainda os economistas.
Conclusão:
a crise é mesmo uma oportunidade!
O fosso entre ricos e pobres e o enriquecimento à custa da pobreza, não são um fenómeno novo nem português, claro. Os socialistas (propriamente ditos) de todo o mundo andam a denunciar isso há mais de um século...
Não é sequer inteiramente novo que a Igreja Católica denuncie as injustiças sociais em termos tão contundentes como acaba de fazê-lo o Papa Francisco. Na encíclica Populorum Progressio fala-se, por exemplo, no "escândalo de desproporções revoltantes, não só na posse dos bens mas ainda no exercício do poder".
O que pode ser novo é o grau de exploração que se atingiu, avaliado pela desproporção a que se chegou entre os rendimentos.
A notícia de ontem, é exemplar: «a reforma complementar de 21 milhões de euros prevista no contrato do ainda presidente do grupo PSA (Peugeot-Citroën), está a chocar a França e foi um dos temas abordados na reunião de hoje do conselho de ministros francês». Em Portugal, notícias equivalentes são interpretadas como bons sinais do mérito dos nossos gestores, porventura objecto de condecorações.
É a crise, a crise moral - coisas de que não tratam os juristas e menos ainda os economistas.
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2013/11/05
Não há dinheiro (2)
(Na última semana de Outubro), a EDP apresentou lucros na ordem dos 800 milhões de euros. Curiosamente, nessa semana também, a EDP decidiu desencadear uma mega-operação de corte de electricidade a um sector de privilegiados que vive à grande e à francesa nos “luxuosos” bairros sociais de Lisboa e Porto.
E se aqui se usa de uma certa ironia, veja-se como, na idiossincrasia de João Miranda, se desenha uma vida faustosa das gentes de um desses bairros, no caso o do Lagarteiro, caracterizada por ele como gente que recebe – e coloca tudo ao molho para engrandecer ainda mais a coisa… – “uma data de pensões”. Aquilo é um fartote! É uma data de euros e de euros valentes! Aquilo é que é “mamar”!
João Miranda fala de “complemento solidário para idosos, subsídio social de desemprego, abono de família e pensão social de invalidez” como se estivesse a falar de mais-valias bolsistas, salários milionários de gestores, motoristas particulares, jactos privados, benesses e luxos que auferem e de que beneficiam certamente os Mexias desta louvada terra.
Texto de Ivo Rafael Silva, recortado em CINCO DIAS de 2013Nov02
E ainda... em comentários:
-”EDP pagou 3,1 milhões de euros em remunerações e prémios a António Mexia” .Só no ano de 2012. http://www.publico.pt/economia/noticia/edp-pagou-31-milhoes-de-euros-em-remuneracoes-e-premios-a-antonio-mexia-1590365
-”De acordo com o relatório da eléctrica, o montante global bruto das remunerações pagas aos membros dos órgãos de administração e fiscalização da EDP, no exercício de 2012, rondou os 18 milhões de euros.” http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=72464
E se aqui se usa de uma certa ironia, veja-se como, na idiossincrasia de João Miranda, se desenha uma vida faustosa das gentes de um desses bairros, no caso o do Lagarteiro, caracterizada por ele como gente que recebe – e coloca tudo ao molho para engrandecer ainda mais a coisa… – “uma data de pensões”. Aquilo é um fartote! É uma data de euros e de euros valentes! Aquilo é que é “mamar”!
João Miranda fala de “complemento solidário para idosos, subsídio social de desemprego, abono de família e pensão social de invalidez” como se estivesse a falar de mais-valias bolsistas, salários milionários de gestores, motoristas particulares, jactos privados, benesses e luxos que auferem e de que beneficiam certamente os Mexias desta louvada terra.
Texto de Ivo Rafael Silva, recortado em CINCO DIAS de 2013Nov02
E ainda... em comentários:
-”EDP pagou 3,1 milhões de euros em remunerações e prémios a António Mexia” .Só no ano de 2012. http://www.publico.pt/economia/noticia/edp-pagou-31-milhoes-de-euros-em-remuneracoes-e-premios-a-antonio-mexia-1590365
-”De acordo com o relatório da eléctrica, o montante global bruto das remunerações pagas aos membros dos órgãos de administração e fiscalização da EDP, no exercício de 2012, rondou os 18 milhões de euros.” http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=72464
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2013/03/25
Classe média, não.
Um grupo social com enorme percentagem de desempregados permanentes, trabalhadores precários e sobrecarga horária, com dificuldades de alojamento e alimentação, com uma protecção social insegura e serviços sociais em deterioração, sem capacidade económica para aceder ao ensino universitário, à cultura e ao lazer, só pode continuar a chamar-se “classe média” porque se situa entre os mendigos maltrapilhos e os que vivem da exploração e da corrupção.
Porém, sociologicamente, teremos que arranjar outro nome para a classe “média” – um nome em que talvez se possam aproveitar quase todas as letras por razões de austeridade!
Porém, sociologicamente, teremos que arranjar outro nome para a classe “média” – um nome em que talvez se possam aproveitar quase todas as letras por razões de austeridade!
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2011/08/28
Porque hoje é domingo (9)
O Evangelho deste domingo fala em seguir o caminho de Jesus: assumir a sua cruz (cf. Mt 16,21-27). Quem diz a cruz diz a crise e este apelo é afinal o grito dos deserdados que ao longo da História clamam por solidariedade.
Finalmente, neste ano da graça de 2011, foram ouvidos, e os ricos do mundo, quais reis-magos, vieram com mirra, incenso e ouro.
Um chama-se Baltazar, outro é Belchior e um terceiro é Gaspar. Nas sagradas escrituras não constam os primeiros nomes mas não é difícil adivinhar que o terceiro destes é Vitor Gaspar, o nosso Ministro das Finanças que na sua candura, a não ser anjo, só pode ser rei-mago.
Devo adiantar em defesa do “princípio do contraditório” a que deve ser sujeita toda a informação para parecer isenta, que há entre os evangelistas quem faça outra descrição. O New York Times (NYT 15-08-2011), por exemplo, fala de um tal Warren Buffet, mas para além deste norte-americano há outro bacano que vem da França e outro de Espanha.
O Primeiro-Ministro já deu a entender que “Portugal não é a Espanha” nem a França nem os Estados-Unidos e, portanto, o nosso Evangelho é o Memorando e a nossa santíssima trindade é o FMI, o BCE e a Comissão Europeia.
Além disso, dizem os pregadores nas ruas e canais... da Informação, não devemos afugentar os nossos ricos. Têm razão: a quem é que se iam entregar depois os lucros das grandes empresas?
Bem pode Jesus Cristo proclamar a renúncia aos bens terrenos e o amor ao próximo, que sempre ouvirá esta resposta: Portugal não é Belém... da Judeia.
Quanto à história dos reis magos, aproveita-se apenas a ideia de que vivem às costas dos camelos!
Finalmente, neste ano da graça de 2011, foram ouvidos, e os ricos do mundo, quais reis-magos, vieram com mirra, incenso e ouro.Um chama-se Baltazar, outro é Belchior e um terceiro é Gaspar. Nas sagradas escrituras não constam os primeiros nomes mas não é difícil adivinhar que o terceiro destes é Vitor Gaspar, o nosso Ministro das Finanças que na sua candura, a não ser anjo, só pode ser rei-mago.
Devo adiantar em defesa do “princípio do contraditório” a que deve ser sujeita toda a informação para parecer isenta, que há entre os evangelistas quem faça outra descrição. O New York Times (NYT 15-08-2011), por exemplo, fala de um tal Warren Buffet, mas para além deste norte-americano há outro bacano que vem da França e outro de Espanha.
O Primeiro-Ministro já deu a entender que “Portugal não é a Espanha” nem a França nem os Estados-Unidos e, portanto, o nosso Evangelho é o Memorando e a nossa santíssima trindade é o FMI, o BCE e a Comissão Europeia.
Além disso, dizem os pregadores nas ruas e canais... da Informação, não devemos afugentar os nossos ricos. Têm razão: a quem é que se iam entregar depois os lucros das grandes empresas?
Bem pode Jesus Cristo proclamar a renúncia aos bens terrenos e o amor ao próximo, que sempre ouvirá esta resposta: Portugal não é Belém... da Judeia.
Quanto à história dos reis magos, aproveita-se apenas a ideia de que vivem às costas dos camelos!
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2010/09/27
Chá das cinco
Tudo começou por causa da Boazona que era uma delas e que ninguém se atrevia a identificar com aquele palavrão senão à socapa. Mas não se ponham já a imaginar um conto erótico porque a vantagem da senhora era apenas, para o que aqui nos trás, suscitar o mêdo do marido, de contrariá-la. O risco de perdê-la seria para ele, antes de mais e acima de tudo, perder uma vantagem sobre os seus pares que em tudo o resto eram iguais a ele em capitais fixos e flutuantes, casas, iates e talvez amantes – isto não está provado.
Um dia, uma noite em que o marido saía de casa para o encontro mensal dos cinco amigos, por assim dizer, a Boazona puxou discretamente a saia mais para cima e reivindicou: se eles podiam reunir-se sozinhos, então elas também podiam organizar um chá por mês, só para mulheres. Dadas as circunstâncias e a atenuante de pensar que o chá seria à tarde como é tradição, ele fez de conta que achava muito bem, que até já tinha pensado nisso, que era justo... E se havia homem justo, era ele. Aqui para nós, ele não levava muito a sério o que dizem as mulheres, pelo que levou aquilo à conta de queixume, uma pequena cena de ciúmes sem consequências.
Depressa as mulheres se organizaram – como é próprio das mulheres – e no mês seguinte, quando ele se preparava para sair para a tal reunião, a que os empregados do bar chamavam o G5, ela perguntou se ele podia levá-la para o chá das senhoras. Surpreendido, gaguejante, mas ponderando o mêdo de perder a mulher, ou a sua consideração, o que ia dar ao mesmo, fez uma ou duas perguntas inúteis e dispôs-se a dizer que sim, não sem conferir primeiro que a saia estava à altura conveniente.
Quando chegou ao bar, espaço discreto inserido nos bairros de vivendas da Boavista, a Boazona já encontrou uma das convivas, a Dona Constança, alta e magra como os eucaliptos que o seu marido transformava – mandava transformar – em pasta para papel. Esta combinação entre “pasta” e “papel” dominava a vida dele desde o primeiro dia em que tomou consciência da sua existência.
Dona Constança não era muito dada a falar do marido, se é que havia alguma coisa para dizer além do que eu próprio acabei de contar, mas aquela penumbra aluarada, aquele envolvimento dos arbustos à entrada do bar, puxava às confidências. Daqui a desabafar que o marido andava angustiado por causa do filho, foi o tempo de fumar um cigarro.
Ele exprimiu um sorriso da cor do seu whiski como se aceitasse por bom o que diziam. Mas, na verdade, não era nisso que pensava. Apenas fazia contas a quantos empregados teria que despedir para comprar uma mota e um Ferrari.
Era 28 de Setembro, a véspera das manifestações promovidas pela CGTP/Intersindical Nacional para Lisboa e Porto. Na Imprensa, na Rádio e na Televisão a opinião dos políticos, dos economistas e até dos jornalistas era unânime: "o país" precisava de medidas mais sérias de austeridade!
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