2009/09/30

Silêncio intolerável


Por primera vez en tres meses, Micheletti (presidente golpista nas Honduras) fue corregido en público por el Congreso y por algunos de los líderes políticos que lo han venido apoyando hasta ahora. Así que no tuvo más remedio que frenar.
EL PAIS

Isto foi o que NÃO se leu nem ouviu hoje noticiar nem debater nas televisões que temos, isto é, que tem o Governo, a IMPRESA e a PRISA/Media Capital...
Micheletti foi quem «ha decidido este lunes que los militares cierren los medios de comunicación que le resultan hostiles, es decir, Radio Globo y el Canal 36 de televisión, afines al depuesto Manuel Zelaya. Los cinco derechos constitucionales que quedan anulados son tan importantes como el de libertad personal, libre emisión de pensamiento (libertad de expresión), libertad de asociación y de unión, libre circulación y los derechos de los detenidos» EL PAIS.

2009/09/29

Papas e bolos

«A visita de um papa católico é assunto da Igreja católica e não matéria do Estado português. Num Estado laico o Papa é apenas um líder religioso. Que o cidadão Cavaco Silva se regozije é um direito; que o chefe de Estado de um País laico exulte com a visita do seu líder espiritual é uma interferência nefasta da política na religião, e vice-versa; e que essa visita tenha sido anunciada fora de tempo, contra a vontade da própria Conferência Episcopal, é uma politização inadmissível daquilo que é apenas matéria de crença pessoal.

Fátima é um dos santuários mais importantes e rentáveis da Igreja católica. Estes aspectos de fé e ges-tão religiosa justificam a visita do Papa, mas é lamentável que esta deslocação seja considerada – como disse o bispo Carlos Azevedo – «uma visita de profundo significado, também por ser o centenário da implantação da República». Fátima foi um instrumento da propaganda contra a República e contra o socialismo. Os milagres tentados noutros locais do país acabaram adjudicados numa região onde a religiosidade e o analfabetismo os facilitava. E, hoje, a crença nas piruetas do Sol, passeios da Virgem pelas azinheiras e aterragem de anjos na Cova da Iria são uma opção pessoal, motivada pela fé e não por provas objectivas, e sem qualquer relação com a nossa forma actual de governo».

Texto integralmente recortado do Diário Ateísta.

Que se trate do mesmo papa que levantou a excomunhão (ditada 20 anos antes pelo seu antecessor João Paulo II) contra quatro bispos que foram consagrados por monsenhor Marcel Lefebvre... não terá pesado certamente no entusiasmo político português... Pelo menos em desentusiasmo não pesou de certeza.

2009/09/25

As esquerdas que temos


Quanto mais leio o blogue de José Medeiros Ferreira ou os discursos (apesar de emproados e inconsequentes) de Manuel Alegre, mais me convenço que uma coligação de esquerda com o PS seria possível. Por outro lado, quanto mais ouço Sócrates ou Santos Silva, para já não dizer Vital Moreira, menos me convenço.

O que prova que o PS de Mário Soares e Almeida Santos – ambivalente, senil, esquizofrénico ou muito simplesmente sem-vergonha - é o mais representativo daquele partido que vai continuar a governar Portugal, para nosso mal.


Só uma divisão do PS em duas correntes incompatíveis poderia criar uma nova oportunidade. Mas aqui, como aconteceu no PCP, o património histórico pesa mais do que a razão, do que as razões – muitas mas variadas. É assim. Por enquanto.

2009/09/17

Memórias de uma professora


É altura de serem os próprios professores a falarem, já que muito se tem falado deles e em nome deles. Daí a excelente oportunidade duma obra que vai agora ser publicada com o nome “Memórias de Uma Professora”.

A professora Isabel Pereira Rosa é autora deste testemunho. Nascida em 1954, na Tojeira, uma aldeia situada nas faldas da Serra de Montejunto, licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa e especializou-se em Ciências de Educação, na Área de Educação Especial, na Faculdade de Psicologia e Ciências de Educação de Lisboa.

Diz que deixa o ensino «porque está cansada, porque lhe doem as costas», mas não tarda a confessar o que há de metafórico nesta explicação: o que lhe falta realmente é o apoio da rectaguarda que a política de educação deveria dar: « e a política da educação nos últimos anos só veio contribuir para uma maior desmotivação dos professores – menos direitos; mais trabalho; criação de um clima de competição, numa profissão em que a cooperação entre os pares é imprescindível à formação integral e harmoniosa dos seus destinatários; menos exigência para com os alunos, a quem já nem se exige o mínimo para progredirem, que é irem às aulas.

O livro será apresentado no dia 19 de Setembro, pelas 16 horas, na nova Biblioteca Municipal do Cadaval (perto de Bombarral).

2009/09/16

Jerónimo de Sousa e a sua ilusão

Domingos Lopes (com tristeza):
«Acreditei, até há tempos, que poderia haver outra saída. Verifiquei que se iam fechando todas as portas».

Jerónimo de Sousa (sorridente):
«Sai um, saem dez, entram mil; estamos bem».

E eu pergunto :
Somos números?

E ainda:
Porque é que só sabemos os nomes dos que saem? Porque é que os congressos só dão conta (do número) dos que “entram”? Suspeito!

Em relação a Domingos Lopes, Jerónimo coloca “a questão folosófica” de saber se «se pode sair de um sítio onde já não se está». E eu pergunto, filosoficamente, se Jerónimo ainda não percebeu que está num partido que já não existe – do PCP histórico, fundado na convicção e na generosidade dos seus dirigentes, resta-lhe a cultura sindical e a ilusão-de-optica eleitoral que as circunstâncias favorecem como nunca antes.

Assim como quem contempla uma estrela que morreu há milhares de anos, mas cuja reflexão luminosa ainda permanece no espaço. Como ensina o esquecido Materialismo Dialectico de Engels e Marx, é assim na natureza e na sociedade.