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2016/06/09
2014/11/16
Limpeza electrónica não é problema
O director do SIS responde a "Perguntas Frequentes" que se colocam no âmbito da segurança económica. Uma dessas questões é a seguinte:
(...) - Como posso aumentar o nível de segurança nas minhas comunicações?
- Deverá fazer uma “limpeza eletrónica” de forma periódica aos seus equipamentos e instalações. Por outro lado, recomendamos que tome particular cuidado ao teor das conversas que tem ao telemóvel/telefone.
Dando de barato a banalidade das respostas, cabe ainda perguntar qual é o problema que leva à acusação do director do Serviço de Informações de Segurança (SIS), "fotografado na companhia de mais dois funcionários deste serviço, (em Maio) quando tentavam detectar escutas no gabinete de António Figueiredo, director do Instituto dos Registos e Notariado (IRN)? Pelo menos esta será certamente a linha de defesa do director Horácio Pinto, apontado como suspeito no caso dos Vistos Gold.
Aliás, o Programa de Segurança Económica (PSE) afecto ao SIS, esclarece, textualmente:
que O roubo do know-how e de informação reservada duma organização – incluindo processos de inovação, de pesquisa e desenvolvimento, de produção, de distribuição e de promoção, planos e estratégias empresariais ou propostas em concursos – é um acto de concorrência desleal que se traduz em prejuízos significativos para as empresas e para o país.
e que "o Programa de Segurança Económica (PSE) tem como objectivo a defesa dos Interesses Económicos Portugueses face a ameaças estrangeiras.
Com efeito, o PSE pretende contribuir para o reforço da segurança das organizações nacionais, dotando-as de recursos e de conhecimentos que permitam, essencialmente de forma preventiva, identificar ameaças e defender os seus interesses. Defendendo os interesses dos agentes económicos nacionais, protege-se a economia e a segurança de Portugal. De entre as diversas ameaças que podem interferir com os Interesses Económicos Portugueses salienta-se a espionagem económica".
Além destas duas declarações, vale a pena citar ainda esta afirmação na primeira pessoa:
"Considero importante que as pessoas que trabalham nos sectores público e privado estejam conscientes dos riscos e das ameaças a que estão sujeitas e que estejam melhor preparadas para os enfrentar. É, pois, meu desejo que o Programa de Segurança Económica contribua para fortalecer os laços entre o SIS e a sociedade civil e para prevenir e diminuir os riscos decorrentes das actividades contrárias aos Interesses Nacionais.
Director do SIS (em: http://www.pse.com.pt/)
Enfim, se há nomes que parecem metidos à força neste processo e que só vêm complicar o labirinto, eles são certamente Marques Mendes, Horácio Pinto e Miguel Macedo. Isto é: nem Marques nem Pinto nem Marques Pinto, digo, nem Miguel Macedo parecem sair molhados deste aguaceiro. Tirando estes, ainda há uma "equipa de futebol" inteira em jogo.
(...) - Como posso aumentar o nível de segurança nas minhas comunicações?
- Deverá fazer uma “limpeza eletrónica” de forma periódica aos seus equipamentos e instalações. Por outro lado, recomendamos que tome particular cuidado ao teor das conversas que tem ao telemóvel/telefone.
Dando de barato a banalidade das respostas, cabe ainda perguntar qual é o problema que leva à acusação do director do Serviço de Informações de Segurança (SIS), "fotografado na companhia de mais dois funcionários deste serviço, (em Maio) quando tentavam detectar escutas no gabinete de António Figueiredo, director do Instituto dos Registos e Notariado (IRN)? Pelo menos esta será certamente a linha de defesa do director Horácio Pinto, apontado como suspeito no caso dos Vistos Gold.
Aliás, o Programa de Segurança Económica (PSE) afecto ao SIS, esclarece, textualmente:
que O roubo do know-how e de informação reservada duma organização – incluindo processos de inovação, de pesquisa e desenvolvimento, de produção, de distribuição e de promoção, planos e estratégias empresariais ou propostas em concursos – é um acto de concorrência desleal que se traduz em prejuízos significativos para as empresas e para o país.
e que "o Programa de Segurança Económica (PSE) tem como objectivo a defesa dos Interesses Económicos Portugueses face a ameaças estrangeiras.
Com efeito, o PSE pretende contribuir para o reforço da segurança das organizações nacionais, dotando-as de recursos e de conhecimentos que permitam, essencialmente de forma preventiva, identificar ameaças e defender os seus interesses. Defendendo os interesses dos agentes económicos nacionais, protege-se a economia e a segurança de Portugal. De entre as diversas ameaças que podem interferir com os Interesses Económicos Portugueses salienta-se a espionagem económica".
Além destas duas declarações, vale a pena citar ainda esta afirmação na primeira pessoa:
"Considero importante que as pessoas que trabalham nos sectores público e privado estejam conscientes dos riscos e das ameaças a que estão sujeitas e que estejam melhor preparadas para os enfrentar. É, pois, meu desejo que o Programa de Segurança Económica contribua para fortalecer os laços entre o SIS e a sociedade civil e para prevenir e diminuir os riscos decorrentes das actividades contrárias aos Interesses Nacionais.
Director do SIS (em: http://www.pse.com.pt/)
Enfim, se há nomes que parecem metidos à força neste processo e que só vêm complicar o labirinto, eles são certamente Marques Mendes, Horácio Pinto e Miguel Macedo. Isto é: nem Marques nem Pinto nem Marques Pinto, digo, nem Miguel Macedo parecem sair molhados deste aguaceiro. Tirando estes, ainda há uma "equipa de futebol" inteira em jogo.
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Paulo Portas,
vistos gold
2014/10/29
Não haverá coligação, «prontos»!
Não, o CDS não vai concorrer às próximas eleições em coligação
com o PSD.
Antes do mais, porque assim concentra no PSD o descontentamento popular, em vez de partilhar a derrota. Depois, porque fica disponível para uma aliança pós-eleitoral com o partido mais votado, seja o PS seja o próprio PSD. Finalmente, porque ambos os partidos da actual maioria têm interesse e oportunidade de contar o respectivo eleitorado.
Isto tudo sem prejuízo do CDS poder "roer a corda" de alguma maneira e sob qualquer pretexto, no contexto do actual mandato. Uma corda cuja tensão irá sendo avaliada em função da popularidade crescente ou decrescente de António Costa.
“E prontos!”. Fecha-se aqui o assunto.
Edição da imagem, original para este blog. Último parágrafo formalmente alterado depois de publicado.
Antes do mais, porque assim concentra no PSD o descontentamento popular, em vez de partilhar a derrota. Depois, porque fica disponível para uma aliança pós-eleitoral com o partido mais votado, seja o PS seja o próprio PSD. Finalmente, porque ambos os partidos da actual maioria têm interesse e oportunidade de contar o respectivo eleitorado.
Isto tudo sem prejuízo do CDS poder "roer a corda" de alguma maneira e sob qualquer pretexto, no contexto do actual mandato. Uma corda cuja tensão irá sendo avaliada em função da popularidade crescente ou decrescente de António Costa.
“E prontos!”. Fecha-se aqui o assunto.
Edição da imagem, original para este blog. Último parágrafo formalmente alterado depois de publicado.
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Governo PSD-CDS,
Paulo Portas
2014/02/11
Portas, melhor que nunca
Agora que o líder do CDS/PP e NÚMERO DOIS DO GOVERNO anda numa campanha desenfreada para vender a sua imagem, vale a pena recordar...
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Paulo Portas
2013/10/06
Porque hoje é domingo (44)
As leituras de hoje, nas igrejas católicas, chamam-nos a atenção para a fé.
“Aumenta-nos a fé!”, disseram os apóstolos a Jesus (Evangelho: Lc. 17,5-10). “Aumenta-nos a fé!”, adivinha-se nos rostos dos apóstolos de Passos Coelho. “Aumenta-nos a fé!”, parece ouvir-se o Povo confrontado com a inutilidade do empobrecimento para o “ajustamento económico e financeiro”.
Na carta aos Hebreus está bem explicado o que é a fé: “firme fundamento das coisas que se esperam, uma posse antecipada, um meio de demonstrar as realidades que não se vêem”.
Aí está: a fé não consiste em acreditar no que se vê, no que se sabe, é acreditar no que se não vê nem antevê. Se estivessemos a assistir a um país em crescimento, com aumento de produção e investimento, com aumento de emprego e de salários, com equilíbrio do défice e redução da dívida pública, enfim, não seria preciso ter fé para acreditar no Governo, mas não é isso que se vê, pelo contrário.
É neste sentido que devem entender-se as palavras de Passos Coelho e os silêncios de Paulo – não do santo mas do Portas.
“Aumenta-nos a fé!”, disseram os apóstolos a Jesus (Evangelho: Lc. 17,5-10). “Aumenta-nos a fé!”, adivinha-se nos rostos dos apóstolos de Passos Coelho. “Aumenta-nos a fé!”, parece ouvir-se o Povo confrontado com a inutilidade do empobrecimento para o “ajustamento económico e financeiro”.
Na carta aos Hebreus está bem explicado o que é a fé: “firme fundamento das coisas que se esperam, uma posse antecipada, um meio de demonstrar as realidades que não se vêem”.
Aí está: a fé não consiste em acreditar no que se vê, no que se sabe, é acreditar no que se não vê nem antevê. Se estivessemos a assistir a um país em crescimento, com aumento de produção e investimento, com aumento de emprego e de salários, com equilíbrio do défice e redução da dívida pública, enfim, não seria preciso ter fé para acreditar no Governo, mas não é isso que se vê, pelo contrário.
É neste sentido que devem entender-se as palavras de Passos Coelho e os silêncios de Paulo – não do santo mas do Portas.
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homilia,
Paulo Portas
2013/07/10
O guião de Paulo Portas
O guião, o roteiro, o script, é aquilo que em cinema converte um texto literário num texto técnico, aquele que diz as coisas práticas e concretas que serão feitas, materealizadas, realizadas em filme.
Na política portuguesa, os programas de governo, de tão desprestigiados, de tão desacreditados pela forma como são rasgados na prática, passaram a designar-se guiões, por iniciativa de Paulo Portas. Mas quem conhece o cinema sabe que há três tipos de guiões: os que são rigorosamente cumpridos – do que se gabava Alfred Hitchcock – e os que servem apenas de base a um projecto que pode desviar-se completamente no decurso da produção, por decisão do realizador – do que se gabava César Monteiro...
Mas também há quem prescinda de guião. Há duas formas de o fazer: assumidamente, como no “cinema-verdade”, ou disfarçadamente, como no que eu chamaria “governo-mentira”.
O mundo cinéfilo está em “suspense” hit-choque-ano por saber qual destes é o prometido guião de Paulo Portas sobre a reforma do Estado*, ou se a promessa era mais uma das suas decisões irrevogáveis” destinadas à mais negra escuridão césariana, por assim dizer.
É que cinco linhas da “ideia” ou dez linhas da “sinopse” ou doze páginas de “argumento”, e muito menos que um guião – aqui, no Brasil, nos Estados Unidos da América… Mesmo em se tratando das chamadas “curtas”.
Na política portuguesa, os programas de governo, de tão desprestigiados, de tão desacreditados pela forma como são rasgados na prática, passaram a designar-se guiões, por iniciativa de Paulo Portas. Mas quem conhece o cinema sabe que há três tipos de guiões: os que são rigorosamente cumpridos – do que se gabava Alfred Hitchcock – e os que servem apenas de base a um projecto que pode desviar-se completamente no decurso da produção, por decisão do realizador – do que se gabava César Monteiro...
Mas também há quem prescinda de guião. Há duas formas de o fazer: assumidamente, como no “cinema-verdade”, ou disfarçadamente, como no que eu chamaria “governo-mentira”.
O mundo cinéfilo está em “suspense” hit-choque-ano por saber qual destes é o prometido guião de Paulo Portas sobre a reforma do Estado*, ou se a promessa era mais uma das suas decisões irrevogáveis” destinadas à mais negra escuridão césariana, por assim dizer.
É que cinco linhas da “ideia” ou dez linhas da “sinopse” ou doze páginas de “argumento”, e muito menos que um guião – aqui, no Brasil, nos Estados Unidos da América… Mesmo em se tratando das chamadas “curtas”.
2013/07/06
2013/07/04
Ministro dos maus
negócios estrangeiros
Na passada segunda-feira e na sequência de uma viagem à Rússia, o Presidente da Bolívia foi impedido de regressar ao seu país, porque o avião militar que tranportava Evo Morales foi proibido de sobrevoar o espaço aéreo de França, Espanha, Itália e Portugal.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português confirmou ter cancelado o sobrevoo de Portugal e aterragem em Lisboa, alegando "considerações técnicas" mas há fortes indícios de que se tenha tratado de uma “indicação” da CIA – Estados Unidos da América. A versão da CIA, de que Edward Snowden, acusado de espionagem pelos Estados Unidos, estava a bordo, revelou-se infundada.
As razões razoáveis do Governo de Portugal estão por esclarecer, mas não é de admirar que o ministro Paulo Portas estivesse muito nervoso com a sua demissão do Governo nesse mesmo dia…
A questão que se coloca é de saber se também foi a CIA que o mandou demitir-se, ou se o fez à revelia dos seus mentores.
Mas que foi um "bonito serviço" prestado às relações de Portugal com a América Latina, está-se mesmo a ver pelas justas reacções da Venezuela, Equador, Argentina, Peru, Uruguai e o que mais virá!
Do Brasil:
“O noticiado pretexto dessa atitude inaceitável – a suposta presença de Edward Snowden no avião do Presidente –, além de fantasiosa, é grave desrespeito ao Direito e às práticas internacionais e às normas civilizadas de convivência entre as nações. Acarretou, o que é mais grave, risco de vida para o dirigente boliviano e seus colaboradores”. Dilma Rousseff
Na foto, Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, com Paulo Portas, Min. Negócios Estrangeiros de Portugal.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português confirmou ter cancelado o sobrevoo de Portugal e aterragem em Lisboa, alegando "considerações técnicas" mas há fortes indícios de que se tenha tratado de uma “indicação” da CIA – Estados Unidos da América. A versão da CIA, de que Edward Snowden, acusado de espionagem pelos Estados Unidos, estava a bordo, revelou-se infundada.
As razões razoáveis do Governo de Portugal estão por esclarecer, mas não é de admirar que o ministro Paulo Portas estivesse muito nervoso com a sua demissão do Governo nesse mesmo dia…
A questão que se coloca é de saber se também foi a CIA que o mandou demitir-se, ou se o fez à revelia dos seus mentores.
Mas que foi um "bonito serviço" prestado às relações de Portugal com a América Latina, está-se mesmo a ver pelas justas reacções da Venezuela, Equador, Argentina, Peru, Uruguai e o que mais virá!
Do Brasil:
“O noticiado pretexto dessa atitude inaceitável – a suposta presença de Edward Snowden no avião do Presidente –, além de fantasiosa, é grave desrespeito ao Direito e às práticas internacionais e às normas civilizadas de convivência entre as nações. Acarretou, o que é mais grave, risco de vida para o dirigente boliviano e seus colaboradores”. Dilma Rousseff
Na foto, Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, com Paulo Portas, Min. Negócios Estrangeiros de Portugal.
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Paulo Portas
2013/06/14
2013/05/12
Portas não tem vergonha
«Esta é a fronteira que não posso deixar passar»
É Paulo Portas, autor do cisma grisalho e outras tiradas do ca... a mostrar que a única fronteira é o seu lugar no Governo! Uma vergonha.
É Paulo Portas, autor do cisma grisalho e outras tiradas do ca... a mostrar que a única fronteira é o seu lugar no Governo! Uma vergonha.
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reformados e pensionistas
2013/01/28
Olha que dois
Não mereceu qualquer atenção dos meios de informação portugueses a cimeira de chefes de Estado dos países da América Latina e do Caribe, a CELAC, que decorreu este fim-de-semana no Chile. Tampouco a reunião desta com os maiores representantes da União Europeia e do FMI. Assim vai o direito à informação em Portugal!
Esta censura em cartel - já Umberto Eco desconfiava da alternativa e diversidade de conteúdos que ofereceriam os canais privados quando eles se expandiram na Europa! - fê-los perder não só a significativa imagem anterior, como o seguinte vídeo onde se mostra o caricato cruzamento acidental de Merkel com... Raúl Castro.
Esta censura em cartel - já Umberto Eco desconfiava da alternativa e diversidade de conteúdos que ofereceriam os canais privados quando eles se expandiram na Europa! - fê-los perder não só a significativa imagem anterior, como o seguinte vídeo onde se mostra o caricato cruzamento acidental de Merkel com... Raúl Castro.
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2012/08/01
Os méritos das ditaduras
Não me lembro que alguma vez o PCP tivesse condenado o MPLA por receber ajuda da União Soviética. Mas condenava-se a UPA/FNLA pela sua ligação aos EUA e sobretudo pela sua ligação oculta com as próprias autoridades coloniais portuguesas.
Eu que estive na guerra colonial, em Angola - sem honra nem glória nem vontade, entenda-se – sempre achei e acho que esta posição do PCP era acertada. O que nunca entendi nem entendo é porque se “encaniçam” tanto os líderes do Partido Comunista Português, contra os apoios internacionais que recebem os rebeldes da Síria quando combatem a ditadura da família Assad. Em armas, claro, que só no Brasil se chamam “balas” aos rebuçados.
Não sou pacifista; sou pela paz enquanto um povo não é agredido violentamente do seu exterior ou do seu interior, e não parece que a posição do PCP seja diferente. Em coerência com isto, o critério para avaliar a justeza duma revolta armada não é a composição do apoio exterior mas sim os abusos de poder e a violência do seu exercício contra os interesses e desejos da população.
A hipocrisia dos EUA, de Israel ou da Arábia Saudita neste conflito, para não falar no ridículo papel de Paulo Portas, não são razão suficiente para justificar o empenho de correntes progressistas na defesa de uma ditadura. Mas não posso esquecer que esta atitude não é uma inovação na política internacional do PCP para quem a ditadura é boa desde que seja “do proletariado”, isto é, usurpando essa legitimidade.
Pela mesma ordem das razões anteriores, não é defensável apoiar um regime porque “durante décadas desconheceu conflitos étnicos ou sectários”, o regime de um “país em que xiitas, sunitas, alauitas, druzos, curdos e cristãos conviveram pacificamente; o país em que as religiões islâmica e cristã coexistiram pacificamente num dos poucos estados árabes laicos do Mundo". Pois não se poderia dizer o mesmo da União Soviética no seu período mais reprovável? As ditaduras têm realmente o mérito de eliminar todas as divergências... e não apenas os conflitos de classes.
NOTAS:
Hafez al-Assad, pai do actual presidente, tomou o poder num golpe de estado, liderando o país por 30 anos e proibindo a criação de partidos de oposição e a participação de qualquer candidato de oposição em uma eleição. Quando faleceu, o seu filho... sucedeu-lhe !
A Síria participou da Primeira Guerra do Golfo ao lado dos Estados Unidos, e colaborou diretamente com a CIA recebendo presos ilegalmente sequestrados que eram torturados antes de irem para Guantánamo, como foi o caso de Maher Arar, cidadão canadiano-sírio. Segundo um ex-agente da CIA citado pela Counterpunch, “se quiser um interrogatório sério, mande o preso para a Jordânia. Se quer que ele seja torturado, mande-o para a Síria”.
(2ª nota foi recortada em esquerda .net)
Eu que estive na guerra colonial, em Angola - sem honra nem glória nem vontade, entenda-se – sempre achei e acho que esta posição do PCP era acertada. O que nunca entendi nem entendo é porque se “encaniçam” tanto os líderes do Partido Comunista Português, contra os apoios internacionais que recebem os rebeldes da Síria quando combatem a ditadura da família Assad. Em armas, claro, que só no Brasil se chamam “balas” aos rebuçados.
Não sou pacifista; sou pela paz enquanto um povo não é agredido violentamente do seu exterior ou do seu interior, e não parece que a posição do PCP seja diferente. Em coerência com isto, o critério para avaliar a justeza duma revolta armada não é a composição do apoio exterior mas sim os abusos de poder e a violência do seu exercício contra os interesses e desejos da população.
A hipocrisia dos EUA, de Israel ou da Arábia Saudita neste conflito, para não falar no ridículo papel de Paulo Portas, não são razão suficiente para justificar o empenho de correntes progressistas na defesa de uma ditadura. Mas não posso esquecer que esta atitude não é uma inovação na política internacional do PCP para quem a ditadura é boa desde que seja “do proletariado”, isto é, usurpando essa legitimidade.
Pela mesma ordem das razões anteriores, não é defensável apoiar um regime porque “durante décadas desconheceu conflitos étnicos ou sectários”, o regime de um “país em que xiitas, sunitas, alauitas, druzos, curdos e cristãos conviveram pacificamente; o país em que as religiões islâmica e cristã coexistiram pacificamente num dos poucos estados árabes laicos do Mundo". Pois não se poderia dizer o mesmo da União Soviética no seu período mais reprovável? As ditaduras têm realmente o mérito de eliminar todas as divergências... e não apenas os conflitos de classes.
NOTAS:
Hafez al-Assad, pai do actual presidente, tomou o poder num golpe de estado, liderando o país por 30 anos e proibindo a criação de partidos de oposição e a participação de qualquer candidato de oposição em uma eleição. Quando faleceu, o seu filho... sucedeu-lhe !
A Síria participou da Primeira Guerra do Golfo ao lado dos Estados Unidos, e colaborou diretamente com a CIA recebendo presos ilegalmente sequestrados que eram torturados antes de irem para Guantánamo, como foi o caso de Maher Arar, cidadão canadiano-sírio. Segundo um ex-agente da CIA citado pela Counterpunch, “se quiser um interrogatório sério, mande o preso para a Jordânia. Se quer que ele seja torturado, mande-o para a Síria”.
(2ª nota foi recortada em esquerda .net)
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2011/06/07
Lembrando... o futuro
Invocando as lutas estudantis em Portugal durante a ditadura de Salazar, por comparação com o Maio de 68 em Paris, Eduarda Dionísio lembrava num artigo do seu blogue Pimenta Negra esta coisa insólita:
«Quarenta anos depois, ninguém dirá que vários governantes, deputados e destacados dirigentes partidários (de agora) foram os que imaginaram e fizeram estas lutas, passadas e apagadas.
E que o autor e apresentador (na televisão pública) de um programa semanal, que se diz «de História», foi o Ministro da Educação que as reprimiu em 1969».
Este fenómeno de ausência de memória, dos mais novos, e apagamento da memória, dos mais velhos, mas também de tolerância injustificável para com os verdugos da humanidade, esta cumplicidade com o crime, encontrámo-la já noutros países, e não faltou quase nada para reaparecer de forma incompreensível no Peru, este fim de semana em que as eleições presidenciais deram uma diferença mínima entre os dois candidatos da segunda volta: 51,37% para Humala, contra 48,63% para Keiko.
Keiko Fujimori, a filha do ditador Alberto Fujimori não responde pelos crimes do seu pai, ex-presidente condenado em 2009 a 25 anos de prisão por autoria intelectual de duas chacinas que mataram 25 pessoas, além de casos de corrupção. Mas a actual candidata fez questão de defendê-lo e de se identificar com ele ao ponto de Mario Vargas Llosa, que não é propriamente um esquerdista, dizer que a derrota de Keiko "foi uma derrota do fascismo”. O facto é que, na criação do seu partido, ela declarou: “Vamos a demostrar que el pueblo no está de acuerdo con el linchamiento que se está haciendo con Alberto Fujimori”.
A cortesia com que Keiko lidou com o seu opositor, o novopresidente eleito Ollanta Humala, assim que foram conhecidos os resultados, tem que ser entendida à luz das diligências para Fujimori-filha livrar o pai da Justiça.
Voltando aos resultados eleitorais em Portugal, fico igualmente apreensivo. Admito que o CDS-PP já não seja o partido que nos anos 70 albergou a extrema-direita descontente com a revolução de 1974, mas não deixa de ser preocupante a entrada para o Governo de Portugal, de um partido que herdou um passado tão suspeito. Por alguma razão Paulo Portas pedia agora que votassem nas pessoas e esquecessem o partido...

Passos Coelho e Paulo Portas em debate eleitoral na SIC
«Quarenta anos depois, ninguém dirá que vários governantes, deputados e destacados dirigentes partidários (de agora) foram os que imaginaram e fizeram estas lutas, passadas e apagadas.
E que o autor e apresentador (na televisão pública) de um programa semanal, que se diz «de História», foi o Ministro da Educação que as reprimiu em 1969».Este fenómeno de ausência de memória, dos mais novos, e apagamento da memória, dos mais velhos, mas também de tolerância injustificável para com os verdugos da humanidade, esta cumplicidade com o crime, encontrámo-la já noutros países, e não faltou quase nada para reaparecer de forma incompreensível no Peru, este fim de semana em que as eleições presidenciais deram uma diferença mínima entre os dois candidatos da segunda volta: 51,37% para Humala, contra 48,63% para Keiko.
Keiko Fujimori, a filha do ditador Alberto Fujimori não responde pelos crimes do seu pai, ex-presidente condenado em 2009 a 25 anos de prisão por autoria intelectual de duas chacinas que mataram 25 pessoas, além de casos de corrupção. Mas a actual candidata fez questão de defendê-lo e de se identificar com ele ao ponto de Mario Vargas Llosa, que não é propriamente um esquerdista, dizer que a derrota de Keiko "foi uma derrota do fascismo”. O facto é que, na criação do seu partido, ela declarou: “Vamos a demostrar que el pueblo no está de acuerdo con el linchamiento que se está haciendo con Alberto Fujimori”.
Voltando aos resultados eleitorais em Portugal, fico igualmente apreensivo. Admito que o CDS-PP já não seja o partido que nos anos 70 albergou a extrema-direita descontente com a revolução de 1974, mas não deixa de ser preocupante a entrada para o Governo de Portugal, de um partido que herdou um passado tão suspeito. Por alguma razão Paulo Portas pedia agora que votassem nas pessoas e esquecessem o partido...

Passos Coelho e Paulo Portas em debate eleitoral na SIC
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