2011/05/14

Manuel António Pina

Conheço-o apenas das crónicas do JN e costumo pensar que elas, por si sós, justificam o jornal. Na modéstia de um canto da última página, quão modesto é o autor, a mim se me afigura que está bem assim, preservado da poeira que faz as primeiras páginas. Só está menos bem porque pode passar despercebido a alguns leitores encandeados pelos destaques liderantes (delirantes?).

Agora, Manuel António Pina acaba de receber o Prémio Camões 2011, pelo conjunto da sua obra, um galardão que ele acolhe com surpresa e modesta satisfação. Mas também com aquela consciência nem sempre presente entre os consagrados, de que “os prémios não tornam as obras literárias melhores nem piores”. É neste jeito quase involuntário, despretensioso, que as suas crónicas vão semeando ideias. Pena é que as vozes do céu não cheguem aos burros, neste que voltou a ser “País de Pessoas Tristes” – para usar uma expressão sua.


Por motivo de avaria geral no "bloguer",
este artigo sai com algum atraso.

2011/05/09

Troicas e baldroicas

Eu sei que a gaja não obriga ninguém a aceitar os seus serviços. Eu sei que são os dirigentes políticos que decidem, soberanamente, se querem ou não querem o empréstimo da “troica”. Mas há neste processo qualquer coisa de perverso que me faz lembrar um criminoso que depois de ter esfaqueado a vítima lhe aparece de bata branca a oferecer serviços de saúde.

Quem foi que receitou a eliminação do aparelho produtivo? Quem foi que promoveu o endividamento geral? Quem foi que levou o sistema financeiro à falência técnica? Quem foi que colocou Portugal entre a espada económica e a parede política?

Estou a conhecer estas “caras” de qualquer lado!...

Quem tinha razão era a Cândida Branca Flor:
«São Tro(i)cas baldrocas
tantas engenhocas
que eles sabem inventar.
São palavras ocas,
faz orelhas moucas,
não te deixes enganar!»


2011/05/07

Chegou e disse...


Disse o Presidente da República - não "presidente dos portugueses" :

«... é o início de um longo caminho que "os portugueses" terão de percorrer num espírito patriótico e de "coesão e unidade"».
«Importa que os cidadão compreendam que o Acordo corresponde a um compromisso necessário para que Portugal obtenha um empréstimo»...
«Cabe-nos demonstrar que somos capazes de aproveitar este tempo difícil e fazer dos compromissos agora assumidos "uma oportunidade" para mudar de vida e construir uma economia saudável»...
«Não podemos continuar a viver acima das nossas possibilidades, a gastar mais do que aquilo que produzimos...»


Os portugueses, as famílias, os cidadãos, o Estado...

PERGUNTO:
E as empresas que fornecem bens essenciais a preços de luxo para dar fortunas cada vez maiores aos vampiros da Nação? “Os tempos de crise são tempos de oportunidade”? Os agiotas nacionais e internacionais que o digam! Não seria melhor pedir a esses que "mudem de vida"?

Então agora que vem dar raspanetes é que se lembra “dos cidadãos”? Mas não são os empresários que criam riqueza , que dão emprego, blá, blá? Que se sentam à mesa do Poder com as receitas para salvar “o país”? Os banqueiros e os grandes empresários!, não se esqueça deles.

“Só há um caminho: trabalhar melhor e poupar mais!” – diz Sua Excelência, o presidente-de-um-país-falido. E a gente, cá por dentro, a pensar que há um caminho, sim, o que não há ainda são as “condições subjectivas” para prossegui-lo. Talvez.

Por enquanto a abstenção é um manguito para a demagogia - uma denúncia contra a ineficácia das eleições. Mas isso não parece ser suficiente.

2011/05/04

A riqueza somos nós!

Na esperança de que o exemplo pegue
e os psicopatas do economicismo se calem...

2011/05/03

O episódio bin-Laden

Até agora o episódio parece muito mal contado: as provas da morte, um vídeo a fingir que mostra, os corpos de cujo destino se não fala, a forma como se conheceu – e sobretudo como não se conheceu – o paradeiro do fugitivo... Nada que tenha a importância que parece, apesar de tudo, que o que importa é saber se o terrorismo, esse, sobrevive e porquê.

Quanto às explicações da “Casa Branca”- lá onde se promovem atentados civilizados - admito que digam, vá lá, meia-verdade. Afinal o Presidente dos Estados Unidos não é José Sócrates.

2011/05/01

Porque hoje é domingo (4)

No domingo passado, Domingo de Páscoa, celebraram os cristãos a ressurreição e aparecimento de Jesus aos discípulos depois de ter sido morto e enterrado na sexta-feira anterior. No domingo seguinte, que é este, celebra-se o segundo aparecimento, desta vez com a presença do incrédulo Tomé.

Nste ano de 2011, esta segunda aparição coincide com o Dia do Trabalhador, isto é, aquele dia de 1886 em que milhares de trabalhadores de Chicago (EUA) se juntaram nas ruas para protestar contra as deploráveis condições de trabalho.
Não posso deixar de lamentar que os trabalhadores mortos em resultado da repressão policial que se abateu sobre os manifestantes, tenham sido menos bafejados pela graça de Deus do que Jesus, e tenham permanecido mortos até aos dias de hoje pelo menos.

Confesso! Confesso que sempre me fez confusão o critério de Deus para fazer milagres. Eu sei que é louvável pôr cegos a ver, mudos a falar, paralíticos a andar e até mortos a ressuscitar. Mas que diabo – passe a expressão -, porquê escolher só meia dúzia quando há milhões a precisar desses cuidados? E mais me interrogo, se não for pecado, porque há-de o Omnipotente consentir que tais deficiências ocorram e até catástrofes e guerras? Não seria mais económico – melhor “governança”, como agora se diz – serem todas as criaturas minimamente saudáveis, pacíficas e solidárias?

Agora consta que João Paulo II também faz milagres. Apesar de todas as perplexidades já aqui manifestadas, um resto de fé me leva a rezar-lhe para que, depois do sucesso com que combateu o comunismo, se dedique agora a combater o capitalismo.Acredito que o faça. Ou eu não me chame... Tomé.