Da Espanha veem pêssegos, pimentos e batatas; da Itália, uvas; do Uruguai, laranjas e limões; alho francês... da Bélgica; bifes, da Irlanda e eu sei lá que mais. Será que só nos restam as couves e os tomates?
Entretanto...
«A Madeira exportou o ano passado mais 10% de flores, com as importações a caírem 28,7%. Contribui para esta inversão dos indicadores um aumento gradual da produção e comercialização local, que nos últimos anos cresceu 39,5%.
Tendo beneficiado ao longo do último quadro comunitário de apoios da União Europeia que permitiram trinta e dois novos projectos florícolas, no valor de 4,6 milhões de euros, a Madeira conseguiu reduzir em 85% o número de flores importadas, tendo com isso beneficiado a produção local.
No histórico da actividade, o ano de 2009 fica marcado pelo primeiro em que as exportações superaram as importações, tendo sido produzidas na Madeira cerca de 4,7 milhões de flores, que geraram um volume de negócios de 2,5 milhões de euros».
Esta notícia do dnoticias.pt é de Abril mas não é a actualidade da notícia que interessa aqui, é o exemplo do que se pode fazer e do que a União Europeia pode ajudar a fazer para equilíbrio da Balança Comercial dos países membros. Produzir para empregar, produzir para reduzir as importações, produzir para permitir as exportações. Produzir, produzir, produzir. E consumir produtos nacionais.
«Diez de la mañana. Por aquellos pasillos, donde hace una semana la gente se amontonaba y conversaba en horario laboral, hoy no transita ni un alma. ¿Qué ha ocurrido en los 17 pisos del Ministerio de la Agricultura para que nadie deambule fuera de las oficinas?
Foto do Ministério do Interior
La respuesta es sencilla: muchos temen estar en la lista del próximo recorte, de manera que evitan mostrarse fuera de su puesto de trabajo y así parecer prescindibles. Si antes merodeaban por todos lados con los brazos cruzados, la estrategia del momento es parecer ocupados, aunque para ello tengan que quedarse tras el buró durante ocho horas».
Cuba, 29 de Outubro de 2010(*)
E eu pergunto onde é que já vi (vimos) isto!?
E voltaremos a ver.
Como alguém comenta acerca de Cuba, naquele artigo de Yoani Sánchez, também por cá não terão que preocupar-se muito os protegidos do "arco da governação". Ai como eu me lembro do PS e do PSD a inflaccionar a RTP de pessoal da sua côrte nos tempos de Mário Soares, por exemplo. Para já não falar de antes de 1974, quando o meu chefe amontoava dossiers inúteis sobre a secretária.
O burocracismo e o clientelismo não têm pátria nem regime, têm políticas que lhes facilitam ou dificultam a existência. E parece que em Cuba alguma coisa se começa a fazer de positivo. Mas não chega. E é duvidoso que ainda vá a tempo de salvar o que resta do seu património político.
Corroborando a tese sobre a autonomia das leis económicas, que defendi noutro artigo, defendo que o espaço para a decisão política e para a afirmação ideológica é o que permite optar entre o desemprego e a requalificação no âmbito de uma reestruturação económica credível. A Direita reclama em toda a parte a facilitação do despedimento; o governo cubano promete a requalificação. Vamos a ver quem é que a História absolve ou condena.(*)Artigo completo em "Géneracion Y".

A viagem “de circum-navegação” que Hugo Chavez empreendeu por estes dias a países com diversas ideologias oficiais e diversas práticas políticas, tais como Portugal, Rússia, Bielorrússia, Ucrânia, Irão, Síria e Líbia, no seguimento do que faz a China, a outra escala, e certamente inspirado por ela, reforça a ideia de que as leis económicas são independentes das opções políticas.
Desenvolver a economia nacional é uma boa opção de quaisquer políticos. Uns fazem-no em nome “do” socialismo, como Chavez ou Hu Jintao, outros fazem-no em nome “do” capitalismo como José Sócrates ou Angela Merkel, mas o mais importante é que os países se desenvolvam para que os povos melhorem as suas condições de vida. Pelo meio ficam os incompetentes e os “agarrados”... a preconceitos ruinosos.
Alvin Toffler bem se esforçou nos anos 80 a defender esta tese em "A Terceira Vaga", mas o contexto mundial não lhe atribuíu méritos senão intelectuais.
Diversamente do que acreditámos com Karl Marx, digamos, se a política se subordina à ideologia, já a economia se lhe escapa.
Podemos escolher entre atravessar um rio ou não atravessar, mas uma vez que se opte pela primeira opção, as formas de o fazer são limitadas e universais, isto é, podemos ir a nado, de barco ou por uma ponte, e em toda a parte estas são as opções possíveis. A subjectividade da escolha, o espaço ideológico em política, está nas razões sociais porque fazemos uma destas escolhas e não outra delas - está na opção de classe, para voltar a Marx.
No âmbito das políticas laborais, por exemplo, economia e ideologia cruzam-se e muitas vezes conflituam, mas isso é porque o trabalho tem as duas dimensões e não porque o aumento dos horários de trabalho, por exemplo, deixem de ser um factor favorável ao crescimento económico dos países quer se trate da Coreia do Sul ou da Coreia do Norte, do Brasil ou de Cuba. Construir a ponte para atravessar o rio parece ser uma opção obvia do ponto de vista social, mas é incontornável ponderar a capacidade económica e material de o fazer.
Isto que hoje nos parece evidente, julgo que permaneceu durante o século XX encoberto pela poeira da “guerra fria”. Por boas ou más razões esta poeira assentou, e lá onde outras se não levantam, tenta-se abrir os olhos e seguir em frente.
Neste contexto, Hugo Chavez, na sua versão mais lúcida que porventura lhe seja ditada pela racionalidade do partido (PSUV), e no seguimento de outras medidas económicas e políticas internas, desenvolve esta viagem digna de um Fernão de... Magalhães dos novos rumos económicos, e o que se deseja é que o seu povo e a sua região saiam mais prósperos do que foram até aqui. O que os povos querem mesmo é liberdade, justiça e bem-estar; o resto é poeira.
Há realmente coisas que só podem ser feitas à porta-fechada. Vergonhas! Aqui ficam dois exemplos.
Dizem as notícias que «O Ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, esteve na residência oficial do Primeiro-Ministro, depois de se ter encontrado a sós com o líder negocial do PSD, Eduardo Catroga (na foto), antigo ministro das Finanças de Cavaco Silva».
Dizem os comentadores afectos ao “arco da governação” que a escolha de Eduardo Catroga tem méritos incontestáveis. Diz Jerónimo de Sousa, no seu estilo metafórico de grosso recorte, que tal encontro é “conversa de alcova”.
Verdadeiramente pornográfico, porém, é este texto do Diário da República:
UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA
Instituto Superior de Economia e Gestão
Despacho (extracto) n.º 9405/2010
Por despacho do Presidente do Conselho Directivo do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, de 1/09/08, proferido por delegação do Reitor da mesma Universidade de 25/05/2007:
Eduardo de Almeida Catroga — contratado, por conveniência urgente de serviço, em regime de contrato administrativo de provimento, para o exercício das funções de Professor Catedrático Convidado, a tempo parcial 0 %, além do quadro deste Instituto, com efeitos a partir de 1 de Setembro de 2008. (não carece de fiscalização prévia do T. C.).
26 de Maio de 2010. — O Presidente da Escola, Prof. Doutor João Duque.
Diário da República, 2.ª série — N.º 107 — 2 de Junho de 2010
Quem me enviou esta informaqção por e-mail, juntava o seguinte comentário que julgo útil transcrever para quem não entender à primeira:
«Se contratado para o quadro a 0% do tempo, eu diria que talvez fosse para não trabalhar mas para ter o lugar garantido. Agora contratado para além do quadro a tempo parcial 0% e ainda por cima com efeitos retroactivos a 01/09/2008, desculpem mas não entendo. Vá-se lá saber das intenções...
Com certeza que Mário Crespo, quando se voltar a cruzar com João Duque (na foto) no seu programa 'Plano Inclinado', não deixará de lhe pedir que explique como este despacho irá contribuir para o desenvolvimento da ciência económica em Portugal».
Eu pergunto se serão situações destas que preocupam a Direita quando se refere a pessoas que ganham dinheiro sem trabalhar!?
2010 Outubro 24
Todos os dias e em toda a parte, os políticos e economistas com voz nos orgãos de difusão, insistem na necessidade de aumentar as exportações como medida para reduzir o défice da nossa Balança Comercial e assim reduzir a dívida externa.
Parece que faz sentido! Mas atendendo às enormes dificuldades de exportar quando os outros países estão “em contracção”, eles a braços com problemas da mesma natureza, e quando o nosso “aparelho produtivo” tem sido destruído por decisão política nacional e europeia, esta parece ser uma questão retórica.
Tal discurso exprime mais desejo do que viabilidade, mas há um "efeito colateral" que não passa despercebido: ele serve de pretexto para defender a diminuição dos apoios sociais e do rendimento dos trabalhadores “a fim de diminuir os custos de produção e tornar os nossos produtos mais competitivos no mercado”.
Claro que as exportações têm que ser promovidas e não sou eu quem venha desmoralizar o Primeiro-Ministro num dia forte de vendas à Venezuela, mas há sinais, e nem a minha formação económica me habilita a dizer mais, de que há muito a fazer “do lado” das importações numa sociedade onde o consumo supérfluo foi incentivado com grande sucesso por parte das empresas, dos bancos e dos governantes.
Parece evidente que é prioritário, por razão de eficiência, contrariar os consumos supérfluos e muitas vezes sumptuários dos governantes (a Direita diria “do Estado”), dos empresários e dos cidadãos mais abastados. No caso dos governantes, de forma coerciva, aos restantes através de desincentivos a esse tipo de consumo – aqui sim, talvez seja o IVA um instrumento de correcção onde não venha agravar custos de produção nacional.
Desculpem, mas é que ainda faltava eu dizer qualquer coisinha...
Nota:
«No período de Junho a Agosto de 2010, as saídas de bens registaram um aumento de 14,2% e as entradas de 10,0% face ao período homólogo (Junho a Agosto de 2009), resultando, ainda assim, no agravamento do défice da balança comercial em 161,2 milhões de euros.» - INE
Sobre a cobrança de portagens nas estradas designadas “sem custos para os utilizadores", vulgo SCUT, já não há discussão que valha a pena. O melhor mesmo é disfrutar destes “registos” sobre o modo como Bin Laden comenta e como Hitler pondera o problema.
Pressionar nos respectivos nomes para ver as gravações devidamente traduzidas) Entretanto ficam três fotogramas a título de sugestão