2012/11/26
Olhos postos na América Latina
A democratização e o desenvolvimento que as forças progressistas da América Latina têm trazido à região, do Brasil à Venezuela, do Equador à Argentina, nomeadamente, estão a atrair nos últimos anos a atenção e o interesse dos países de outros continentes, promovendo relações económicas de novo tipo. Para trás ficam séculos de arrogância e exploração do “velho mundo” desenvolvido, sobre esses povos, sobre essas culturas, sobre essas economias.
É bem significativo dos novos tempos, que no plenário da recente cimeira ibero-americana os governantes latino-americanos criticassem unânime e abertamente as medidas adoptadas na Europa para fazer face à crise, advertindo que o excesso de austeridade impede o crescimento e pode causar o contágio ao outro lado do Atlântico – na verdade já está a causar.
A maioria dos dirigentes lembrou na cimeira como a sua região sacrificou uma “década perdida” para seguir políticas de ajustes ditadas pelos órgãos multilaterais com prazos difíceis de cumprir. Entretanto, o presidente do Peru, Ollanta Humala diria ainda que “a Europa é maior que os seus problemas”.
UM MERCADO ATRAENTE
Hoje a Espanha e Portugal, em diferentes escalas, confrontados com a crise económica e financeira na Europa, e com as políticas individualistas dos países que compõem a União, mas também confrontados com os avanços da China, da Rússia e de outras potências na América do Sul, sentem uma grande necessidade de aproximação à “Pátria Grande” de Simon Bolívar.
O mercado latino-americano vale quase 4,5 biliões de dólares e vai continuar a crescer - um espaço económico atraente em tempos de crise. São considerados países “com estabilidade”, com “expetativa de crescimento” nos próximos anos, ao contrário do que se verifica na zona euro.
Só no Brasil há 60 milhões de consumidores que têm maior poder de compra agora, após terem ascendido em termos socioeconómicos. No entanto as exportações ibéricas ainda são muito fracas para a América Latina, ao contrário dos investimentos.
PRESENÇA DE ESPANHA
A Espanha, além de uma forte presença nas telecomunicações, energia, infraestruturas tem mais de 20% do mercado bancário da região. Os dois maiores bancos e outras grandes empresas da América Latina são espanholas. Mas ainda assim esses investimentos representam uma parte muito pequena do capital investido por Espanha no exterior. Tanto mais quanto é sabido como a China tem sabido e conseguido aproveitar aquele espaço em franco desenvolvimento
PRESENÇA DE PORTUGAL
Da presença portuguesa na América Latina destacam-se empresas como a Lusiaves na Colômbia, a Sugalidal no Chile e a Sogrape na Argentina. Mas apenas 4,3% das exportações portuguesas se destinam à região.
O segundo mercado de Portugal na América Latina, depois do Brasil, é agora a Venezuela. Nos primeiros seis meses deste ano, as exportações de Portugal para a Venezuela alcançaram os 159 milhões de euros, mais do que em todo o ano de 2011 (152,8). A conta que apoia as nossas exportações para a Venezuela é “abastecida” com a nossa compra de petróleo.
CONCLUSÃO
Não estará na altura de trocar dois submarinos por dois navios mercantes?
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2012/11/24
As pedras e as palavras
Até hoje, nenhum post inserido aqui teve tanto a ver com o título deste blogue - nome e imagem! Mas isto não é tanto um artigo, é mais um comentário a um artigo de JN.
Na comparação que faz entre o apoiante de Passos Coelho, provocador que apareceu num comício do PS, e os indivíduos que estiveram a atirar pedras à polícia, digo aos polícias, na sequência da recente manifestação de 14 de Novembro, JN deixa-me perplexo. A consideração que tenho por ele, se é quem penso que é, inibe-me de dizer mais!
Em todo o restante argumentário, no entanto, o JN prossegue numa lógica formal sobre teses “moralistas” e teses “militaristas” e sobre a diferença entre “os fins e os meios”, que me fazem duvidar das suas competências filosóficas, de tal modo se deixa levar pelas palavras – destas dizia Sartre, em "Les Mots", que são de tal modo fascinantes que por vezes nos fazem perder a noção da realidade – passe a citação de memória. Começo a duvidar, enfim, que o JN seja quem eu penso.
Finalmente o JN não percebeu que o que distingue aqueles indivíduos, de Gandhi, é que este estava verdadeiramente empenhado na revolução social e por isso, consciente da desproporção de forças com que contava, não se deixava entusismar com fogachadas contra forças bem armadas, arremetidas que duram apenas duas horas ou o tempo que as autoridades quiserem, e deixam um sabor a impotência, a frustração, a desistência, a divisão na base social de contestação. Definitivamente, este JN não é quem eu pensava que era.
Nem violência gratuita nem “abstenção violenta” à moda do PS. O que o país precisa é que os cidadãos reforcem a capacidade de intervenção da esquerda consequente nas instâncias do Poder, o que requer mais tempo do que duas horas, mais trabalho e mais coragem do que atirar pedras e incendiar caixas de lixo às escondidas.
Quem é o JN? Isso importa pouco. Há vários.
Na comparação que faz entre o apoiante de Passos Coelho, provocador que apareceu num comício do PS, e os indivíduos que estiveram a atirar pedras à polícia, digo aos polícias, na sequência da recente manifestação de 14 de Novembro, JN deixa-me perplexo. A consideração que tenho por ele, se é quem penso que é, inibe-me de dizer mais!
Em todo o restante argumentário, no entanto, o JN prossegue numa lógica formal sobre teses “moralistas” e teses “militaristas” e sobre a diferença entre “os fins e os meios”, que me fazem duvidar das suas competências filosóficas, de tal modo se deixa levar pelas palavras – destas dizia Sartre, em "Les Mots", que são de tal modo fascinantes que por vezes nos fazem perder a noção da realidade – passe a citação de memória. Começo a duvidar, enfim, que o JN seja quem eu penso.
Finalmente o JN não percebeu que o que distingue aqueles indivíduos, de Gandhi, é que este estava verdadeiramente empenhado na revolução social e por isso, consciente da desproporção de forças com que contava, não se deixava entusismar com fogachadas contra forças bem armadas, arremetidas que duram apenas duas horas ou o tempo que as autoridades quiserem, e deixam um sabor a impotência, a frustração, a desistência, a divisão na base social de contestação. Definitivamente, este JN não é quem eu pensava que era.
Nem violência gratuita nem “abstenção violenta” à moda do PS. O que o país precisa é que os cidadãos reforcem a capacidade de intervenção da esquerda consequente nas instâncias do Poder, o que requer mais tempo do que duas horas, mais trabalho e mais coragem do que atirar pedras e incendiar caixas de lixo às escondidas.
Quem é o JN? Isso importa pouco. Há vários.
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2012/11/23
Imagens de arquivo
A PSP pediu à Direcção da RTP cópias de imagens gravadas nas manifestações de S. Bento.
Independentemente de Vítor Gonçalves ter diligenciado a satisfação desse pedido, em termos burocráticos, o que está por esclarecer é quem decidiu a entrega desse material à Polícia. Uma vez que Vitor Gonçalves é director-adjunto, pode ter recebido ordens superiores – pode e deve. Isto é o que se refere à legitimidade da decisão, que se confina à RTP e à PSP.
Outra coisa é saber se a PSP pediu ou exigiu e se esta foi a autora inicial do pedido ou se o fez a pedido do ministério que a tutela. Será que ainda vamos ter que acreditar que é o Ministro da Administração Interna que quer as imagens para apurar se houve violência desproporcionada da parte dos agentes da autoridade? Pelo caminho que o Governo leva em matéria de comunicação com os cidadãos, não seria de admirar.
Para o caso de ser essa a “explicação”, aqui fica um comentário "ab anteriori”. Quem de nós não ficaria enraivecido depois das provocações e agressões físicas, dos insultos e pedradas que os "soldados" da Polícia foram obrigados a suportar durante horas? É que, enquanto choviam pedras sobre os polícias que prestavam serviço na Assembleia da República, "nem uma agulha bolia na quieta melancolia" dos agentes do Governo.
É por esta conclusão que insiro no início deste post uma imagem das lutas de gladiadores, com seu público e seus governantes rejubilando nos balcões do circo romano. Uma imagem pedida ao arquivo da RTP...
Independentemente de Vítor Gonçalves ter diligenciado a satisfação desse pedido, em termos burocráticos, o que está por esclarecer é quem decidiu a entrega desse material à Polícia. Uma vez que Vitor Gonçalves é director-adjunto, pode ter recebido ordens superiores – pode e deve. Isto é o que se refere à legitimidade da decisão, que se confina à RTP e à PSP.
Outra coisa é saber se a PSP pediu ou exigiu e se esta foi a autora inicial do pedido ou se o fez a pedido do ministério que a tutela. Será que ainda vamos ter que acreditar que é o Ministro da Administração Interna que quer as imagens para apurar se houve violência desproporcionada da parte dos agentes da autoridade? Pelo caminho que o Governo leva em matéria de comunicação com os cidadãos, não seria de admirar.
Para o caso de ser essa a “explicação”, aqui fica um comentário "ab anteriori”. Quem de nós não ficaria enraivecido depois das provocações e agressões físicas, dos insultos e pedradas que os "soldados" da Polícia foram obrigados a suportar durante horas? É que, enquanto choviam pedras sobre os polícias que prestavam serviço na Assembleia da República, "nem uma agulha bolia na quieta melancolia" dos agentes do Governo.
É por esta conclusão que insiro no início deste post uma imagem das lutas de gladiadores, com seu público e seus governantes rejubilando nos balcões do circo romano. Uma imagem pedida ao arquivo da RTP...
2012/11/19
"Ainda" há homens com
«Este portal destinava-se a ajudar os alunos do segundo ano de uma licenciatura de escola pública universitária, numa disciplina com o nome de História do Presente. Acabei hoje, dia 10 de Maio, por ter que renunciar à respectiva coordenação e regência, por questões de dignidade pessoal e brio académico. Vou tentar utilizar o investimento feito noutras unidades orgânicas onde haja ideias de obra, manifestações e cumprimento das regras do Estado de Direito. E mais não digo. Porque tenho vergonha».
Quem fala assim é José Adelino Maltez, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra e com o grau de doutor em ciências sociais, na especialidade de ciência política, pela Universidade Técnica de Lisboa . Alguém que nos habituámos a ouvir com atenção na Televisão, menos vezes do que gostariamos.
E de cujo “Cosmopolis” transcrevo, quase aleatoriamente, esta referência desempoeirada e certeira, ao ano de 1991:
«O Expresso elege como homens do ano um tal sindicalista Torres Couto, um tal intelectual Mega Ferreira, um tal secretário de Estado Santana Lopes e um tal tarimbeiro da política laranja, chamado Luís Filipe Meneses. Todos ilustres homens de sucesso sem obra-prima mas com muitas promessas de obra feita e, sobretudo, detentores daquele eficaz sentido de oportunidade que lhes permite saber apostar no vencedor».
Para "não citar" este seu comentário na Televisão, ele próprio uma invocação: «Nem tudo o que é lícito é honesto!».
Quem fala assim é José Adelino Maltez, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra e com o grau de doutor em ciências sociais, na especialidade de ciência política, pela Universidade Técnica de Lisboa . Alguém que nos habituámos a ouvir com atenção na Televisão, menos vezes do que gostariamos.
E de cujo “Cosmopolis” transcrevo, quase aleatoriamente, esta referência desempoeirada e certeira, ao ano de 1991:
«O Expresso elege como homens do ano um tal sindicalista Torres Couto, um tal intelectual Mega Ferreira, um tal secretário de Estado Santana Lopes e um tal tarimbeiro da política laranja, chamado Luís Filipe Meneses. Todos ilustres homens de sucesso sem obra-prima mas com muitas promessas de obra feita e, sobretudo, detentores daquele eficaz sentido de oportunidade que lhes permite saber apostar no vencedor».
Para "não citar" este seu comentário na Televisão, ele próprio uma invocação: «Nem tudo o que é lícito é honesto!».
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2012/11/17
Merkel dá mais pica
Na passada segunda-feira, dia 12, dona Angela Merkel era a estrela de S. Julião da Barra, trazendo no regaço um cesto de promessas, esclarecendo, porém, que a “ajuda financeira” não era de sua autoria mas sim da “troica” – talvez para acalmar a investida sedutora de Passos Coelho. Nem pão, nem rosas, mas palavras:«Farei tudo para que Portugal tenha um futuro feliz».
Como se nós não o soubessemos já…
Deste concurso de mentiras vale a pena acrescentar a “convicção” de Passos Coelho de que as “reformas estruturais” que estão a ser levadas a cabo em Portugal irão transformar o país «numa das economias mais dinâmicas da Europa».
Quem duvida?!
Entre as reformas em curso está, como se sabe, a alienação do património nacional (e dos próprios portugueses), onde se inclui a venda da TAP. Interessado nesta companhia aérea e em promover “o comércio, o investimento e o turismo”, também andou por aí um outro visitante com igual peso diplomático mas não económico apesar de ser a 3ª maior economia da América Latina: Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia.
Santos esteve cá dois dias, 15 e 16 de Novembro, um dos quais coincidiu com a Greve Geral da CGTP, o que obrigou o presidente português a furar a greve para recebê-lo. O presidente que em boa hora sucedeu a Álvaro Uribe - o “implacável exterminador” de sindicalistas e opositores políticos – foi recebido com simpatia e honras protoculares, mas os nossos orgãos de informação, ignorantes ou pouco sensíveis à América Latina que extravasa o Brasil, mal deram por quem nos convidava “a participar no grande programa de construção, ampliação e manutenção de infra-estruturas que Bogotá quer concretizar”.
Esta aproximação ou estreitamento de relações económicas de Passos Coelho e Paulo Portas, com a Colômbia social-democrata, parece rivalizar com as negociações económicas de José Sócrates e Manuel Pinho, a seu tempo, com a Venezuela socialista. Mas é manifesta a diferença de vantagens entre a venda da TAP e a venda dos computadores Magalhães – passe o exemplo a título simbólico.
Santos promove negociações de paz com as FARC, em Cuba; Santos abraça o projecto “integrador” da América Latina e Caribe, promovido pela Venezuela para a descolonização económica da região; Santos respeita a soberania dos outros países; Santos não anda cá para nos tramar como frau Merkel… E isso não dá pica.
Como se nós não o soubessemos já…
Deste concurso de mentiras vale a pena acrescentar a “convicção” de Passos Coelho de que as “reformas estruturais” que estão a ser levadas a cabo em Portugal irão transformar o país «numa das economias mais dinâmicas da Europa».
Quem duvida?!
Entre as reformas em curso está, como se sabe, a alienação do património nacional (e dos próprios portugueses), onde se inclui a venda da TAP. Interessado nesta companhia aérea e em promover “o comércio, o investimento e o turismo”, também andou por aí um outro visitante com igual peso diplomático mas não económico apesar de ser a 3ª maior economia da América Latina: Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia.
Na foto, os dois presidentes e suas Marias
Santos esteve cá dois dias, 15 e 16 de Novembro, um dos quais coincidiu com a Greve Geral da CGTP, o que obrigou o presidente português a furar a greve para recebê-lo. O presidente que em boa hora sucedeu a Álvaro Uribe - o “implacável exterminador” de sindicalistas e opositores políticos – foi recebido com simpatia e honras protoculares, mas os nossos orgãos de informação, ignorantes ou pouco sensíveis à América Latina que extravasa o Brasil, mal deram por quem nos convidava “a participar no grande programa de construção, ampliação e manutenção de infra-estruturas que Bogotá quer concretizar”.
Esta aproximação ou estreitamento de relações económicas de Passos Coelho e Paulo Portas, com a Colômbia social-democrata, parece rivalizar com as negociações económicas de José Sócrates e Manuel Pinho, a seu tempo, com a Venezuela socialista. Mas é manifesta a diferença de vantagens entre a venda da TAP e a venda dos computadores Magalhães – passe o exemplo a título simbólico.
Santos promove negociações de paz com as FARC, em Cuba; Santos abraça o projecto “integrador” da América Latina e Caribe, promovido pela Venezuela para a descolonização económica da região; Santos respeita a soberania dos outros países; Santos não anda cá para nos tramar como frau Merkel… E isso não dá pica.
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Troica
2012/11/12
Porque hoje é domingo (27)
Jesus fala das diferenças de classes. Opps.
Observando o comportamento dos cidadãos que se dirigiam ao balcão das Finanças, passe a adaptação livre, Jesus comentou a diferença entre o que davam os ricos para a comunidade e o que davam os pobres.
Chamou os discípulos, como Dom Januário faria se fosse um verdadeiro representante de Cristo, e lhes disse: Eu vos asseguro que esta gente com menores recursos "dá mais do que todos os ricos pois todos eles deram do que lhes sobrava; ela, porém, na sua indigência, deu tudo que tinha, todo o seu sustento”.
Por estas e por outras se moveram as forças do Poder com a ajuda de alguns analistas e comentadores públicos, no sentido de difamar o Salvador e condená-lo.
Tanto mais que Jesus acusava os escribas - advogados com funções políticas, talvez deputados dos partidos do Poder, em adaptação livre aos nossos tempos – dizendo (Evangelho - Mc 12,38-44): “Tomai cuidado com os escribas. Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser saudados nas praças públicas, de ocupar as primeiras cadeiras nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes”. Traduzindo: Eles gostam de andar em automóveis de luxo, de ser elogiados nas televisões, de ocupar os espaços do Poder e os lugares de direcção das grandes empresas.
E também dizia Jesus sobre os escribas: “Devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Eles terão sentença mais severa”. As “casas das viúvas” são, para os novos escribas, as famílias empobrecidas a quem os tais deputados e governantes fazem longos discursos demagógicos.
E mais não digo eu para que se não perca a expectativa do que se dirá neste domingo por esse mundo fora onde a Igreja Católica faz a sua propaganda. Aviso apenas, pela minha parte, que nalgumas capelas haverá quem confunda o elogio dos pobres com o elogio da pobreza.
Observando o comportamento dos cidadãos que se dirigiam ao balcão das Finanças, passe a adaptação livre, Jesus comentou a diferença entre o que davam os ricos para a comunidade e o que davam os pobres.
Chamou os discípulos, como Dom Januário faria se fosse um verdadeiro representante de Cristo, e lhes disse: Eu vos asseguro que esta gente com menores recursos "dá mais do que todos os ricos pois todos eles deram do que lhes sobrava; ela, porém, na sua indigência, deu tudo que tinha, todo o seu sustento”.
Por estas e por outras se moveram as forças do Poder com a ajuda de alguns analistas e comentadores públicos, no sentido de difamar o Salvador e condená-lo.
Tanto mais que Jesus acusava os escribas - advogados com funções políticas, talvez deputados dos partidos do Poder, em adaptação livre aos nossos tempos – dizendo (Evangelho - Mc 12,38-44): “Tomai cuidado com os escribas. Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser saudados nas praças públicas, de ocupar as primeiras cadeiras nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes”. Traduzindo: Eles gostam de andar em automóveis de luxo, de ser elogiados nas televisões, de ocupar os espaços do Poder e os lugares de direcção das grandes empresas.
E também dizia Jesus sobre os escribas: “Devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Eles terão sentença mais severa”. As “casas das viúvas” são, para os novos escribas, as famílias empobrecidas a quem os tais deputados e governantes fazem longos discursos demagógicos.
E mais não digo eu para que se não perca a expectativa do que se dirá neste domingo por esse mundo fora onde a Igreja Católica faz a sua propaganda. Aviso apenas, pela minha parte, que nalgumas capelas haverá quem confunda o elogio dos pobres com o elogio da pobreza.
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