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2019/12/23

Balanço de 2019

No domínio da Informação não só deturpar ou mentir é desinformação ou a contra-informação, também "esquecer", ignorar, censurar.

É sabido que a Humanidade sofre geralmente de amnésia histórica. Mas é muito estranho que jornalistas, analistas e comentadores, convidados nesta altura a nomear figuras e acontecimentos relevantes do ano, não se recordem de nada que tenha ocorrido há mais de dois ou três meses...

A greve dos motoristas de matérias perigosas, em Portugal, o recrudescimento dos distúrbios em França com os Coletes Amarelos e em Espanha com os movimentos independentistas, o Brexit no Reino Unido, os incêndios na Amazónia, o golpe de estado na Bolívia e a tentativa fracassada de invasão da Venezuela, foram acontecimentos históricos importantes no ano de 2019.

A tomada de posse de Jair Bolsonaro, no Brasil, e de Boris Johnson no Reino Unido, a proposta de destituição de Donald Trump, a eleição de Zelensky na Ucrânia e o regresso ao poder de Cristina Kirchner, na Argentina, devido à eleição de Alberto Fernández para a presidência, apresentam nomes com uma importância muito significativa que se destacaram em 2019 pela importância para o futuro dos seus países e da ordem mundial. E como ignorar, abandonar, Assange e Rui Pinto?

2016/09/19

Censura à nossa moda

"Liberdade de Informação" já temos - no quadro do sistema político vigente... Agora "só" falta a liberdade de sermos informados!



2016/06/22

Canais há muitos...

Não, o jornalismo não é uma missão, é uma profissão. O objectivo de um órgão (privado) de Informação, não é servir, é vender – ou então é servir no mesmo sentido em que o é qualquer outra actividade comercial. Mais: quando um jornalista serve uma missão, afasta-se da sua função.

Ora isto acontece sempre que se enfatiza uma posição em relação a outra, mas acontece de forma mais sinistra ao censurar o protagonista de um conflito mundial. E assume contornos inquisitoriais quando esse procedimento é sistemático, instituído. É o que “nós” fazemos aos discursos de Bashar al-Assad.


A pretexto de negar visibilidade a um suposto hereje da sua religião, o jornalista nega ao público o direito de saber o que diz o protagonista de grandes conflitos mundiais. Nega ao público! Em nome da democracia!

Em nome da democracia, da nossa, devíamos ter o direito de saber o que dizem os amigos e os inimigos da nossa crença. Depois chamem um regimento de sacerdotes comentadores para desdizê-lo, se lhes fizer falta, mas não nos tapem os olhos e os ouvidos.

Que mal faria se nos deixassem ouvir coisas como estas?:

«… Uma vez que o seu plano terrorista (dos estados inimigos da Síria) falhou apesar de toda a destruição e massacres perpetrados, adquiriram a convicção que o essencial do seu plano político ainda poderia materializar-se pelo ataque à Constituição.

Na verdade, o seu plano inicial consistia em fazer de forma que o terrorismo dominasse completamente o país concedendo-lhe uma pertença qualidade de moderação, e de legitimidade, depois, decidida evidentemente pelo estrangeiro, que instalaria um caos absoluto impondo como única saída uma Constituição étnica e confessional transformando um povo ligado à sua terra natal em grupos rivais anexados às suas seitas e apelando à intervenção estrangeira contra os seus compatriotas
…».

Este discurso foi proferido pelo presidente da Síria, Bashar al-Assad, no passado dia 7, na sequência das eleições parlamentares da Síria.

Sabia? Pois, não sabia! E não é por falta de canais, é porque há uma epidemia de censura na “comunicação social”.

2014/04/24

Abril em Março de 1974

Os três excertos (não seguidos) que se publicam abaixo, ajudam a conhecer a situação que se vivia antes de Abril de 1974, mostrando uma das facetas repressivas do regime, por um lado, e uma das formas de resistência, por outro. Também foram estes artistas que fizeram a revolução.



A quem estiver interessado no documento completo pode pedi-lo por e-mail ou na secção de comentários deste "post".

2011/08/20

Silêncio e ruído, a mesma luta!

Quando as autoridades cubanas impedem a averiguação das circunstâncias em que morreu o adolescente Emilio Valdez, apesar dos insistentes pedidos dos pais e das fortes suspeitas de abuso criminoso de práticas repressivas, vemos o mecanismo do silêncio a funcionar.

Quando as mesmas autoridades fazem do caso humano Elián um caso político para exploração propagandística durante mais de 10 anos, apesar de ter sido resolvido satisfatoriamente, estamos perante propaganda indecorosa para encobrir a natureza real da “revolução” abstracta e a moral de quem a apoiar!
As ditaduras, nomeadamente o nazi-fascismo, apoiam a sua sobrevivência num aparelho comunicacional composto por aqueles dois mecanismos complementares: o silêncio e o ruído, isto é, a censura e a propaganda. A primeira inclui a auto-censura induzida pelo medo; a segunda aproveita a disponibilidade de muitos para a corrupção – aqui a dependência pessoal dá uma forte ajuda.

Os regimes que se reclamam do socialismo e do comunismo mas que aplicam sistematicamente aquelas práticas, comprometem definitivamente o socialismo e configuram um criminoso abuso de poder com sacrifício das populações – antes de mais, da sua dignidade.

Qualquer destas razões bastaria para que o assunto fosse aqui trazido, por mais odioso que isso seja para alguns "revolucionários" profissionais.

Notícia posterior:
La Dama de Blanco Berta Soler denunció que cerca de 49 mujeres miembros de la asociación fueron brutalmente reprimidas hoy en La Habana por turbas de hombres y mujeres, que les dieron “empujones, patadas, les escupieron”, cuando ellas se disponían a realizar su caminata.


2010/05/30

Isto é fascismo

O Sapo diz que estiveram “centenas de portugueses” na manifestação, o Clix diz que “ a CGTP contou com trezentos participantes” ! O Correio da Manhã é um pouco mais generoso ao conceder que terão protestado “milhares” de pessoas. O Público, “jornal de referência” na propaganda anti-sindical e anti-progressista em geral, não assume uma contagem; diz que os organizadores disseram que... Mas acrescenta num português de referência: “A possibilidade do valor estar inflacionado é uma possibilidade”.

A revista “Visão”, essa ainda está a fazer contas. O JN não tem espaço para estas futilidades, ocupado como está em informar o país de que uma bébé nasceu numa padaria... A TSF destaca as declarações... da Ministra do desemprego, remetendo a notícia da manifestação para um “link” que volta a destacar a ministra e a UGT e só lá para o fim refere que estiveram na manifestação... “centenas de pessoas” !

Fotos, nem vê-las! – não se dê o caso de alguém contar as cabeças...

Para os jovens a quem é sempre difícil explicar o que era o fascismo, aqui está um exemplo!


2010 Maio 30 - Recortes de "notícias" de jornais on-line, sobre a manif. de 29.

2010/04/09

Censura... democrática !

ou: liberdade... revolucionária

À consideração daqueles que virão dentro de poucos dias proclamar as conquistas de Abril (de 1974), invocando justamente o papel do PCP na denúncia e no combate contra o regime de Salazar e Caetano, mas que promovem o regime cubano como democrático e progressista, recomendo a leitura deste pequeno testemunho actualíssimo, para que façam comparações.
«Justamente ayer, la víspera de presentarse en Chile una compilación de mis textos con el título Cuba Libre, me llegó una información de la Aduana General de la República (de Cuba). En ella me confirmaban la confiscación de diez ejemplares de mi libro enviados a través de DHL. En las rancias y breves palabras de la burocracia, me explicaban:

Al realizar la inspección física del envío se detectó documentación cuyo contenido atenta contra los intereses generales de la nación, por lo que se procede a su decomiso en correspondencia a lo establecido en la legislación vigente.


Trato de reproducir la escena de “los especialistas” dilucidando si permitían o no que el libro traspasara las fronteras de esta Isla y llegara hasta mis manos. ¿Buscarían en sus páginas alguna imagen obscena que pudiera ofender la moral? De seguro no la encontraron entre las fotos de vallas inflamadas de consignas políticas, las desvencijadas entrañas de un automóvil abandonado y las banderas cubanas exhibidas en un mercado donde no vale la moneda nacional. Esto último puede parecer obsceno, pero no es mi culpa.

¿Serían celosos doctores de la gramática esos que manosearon las frases de Cuba Libre buscando quizás una errata o un tiempo verbal mal usado? ¿Se trataba acaso de analistas militares, indagando entre los párrafos de mis crónicas por códigos ocultos, revelaciones sobre la economía o documentos secretos de la Seguridad del Estado? Nada de eso hallaron, ni siquiera la receta de cómo fabricar guarapo, esa casi extinta bebida nacional que se logra exprimiendo la caña de azúcar
».

Ao recordar o que foi a Censura em Portugal e o papel do jornal Avante na respectiva denúncia, não é possível deixar de "estranhar" o entusiasmo com que os dirigentes do PCP falam hoje sobre Cuba.

Diversamente, muitos outros, "fieis ao espírito de Abril" indignam-se com esse... paradoxo moral e com essa incoerência ideológica que traz prejuízo para o povo cubano e para a "confiança do país" - é um certo conceito de "solidariedade internacional" que torna o PCP carente de autoridade moral aos olhos do eleitorado, num fidelismo ideológico onde não cabem os valores nem o pensamento dos mentores que invocam.

Quando Jerónimo de Sousa diz euforicamente acerca de Cuba que «um povo tem direito a decidir dos seus destinos e a construir o seu futuro, seguindo exemplos de coragem e determinação como o de Cuba Socialista, estão a devolver aos seus povos a sua soberania, os seus direitos e sobretudo a capacidade de acreditar que sim é possível um outro mundo melhor», é evidente que não fala do povo mas sim dos Castros, e isso diz tudo sobre o que o povo português poderia esperar do actual PCP "se e quando" fosse chamado a ser governo!

A foto ao cimo vem do post "Escrita em Dia".